
Palavra certa, na hora certa, pode mudar o destino de milhões de pessoas.
Foi o que aconteceu quando um professor de escola pública de Maringá convenceu o pai de Wilson Picler e Edmilson Picler que deveria mandar seus dois filhos para estudar no antigo CEFET de Curitiba: “Eles têm muito talento, têm de deslanchar. Aqui só marcarão passo”, advertiu o mestre.
Gabriel Picler, o pai, meio relutante, perdeu seus dois auxiliares de mecânico na oficina da família, depois daquele episódio do final dos 1970, ao apoiar a mudança dos meninos.
Em compensação, hoje Wilson Picler, gênio do empreendedorismo, contabiliza que, pelo menos, 500 mil pessoas se graduaram e pós graduaram em seu complexo educacional universitário, a Uninter Educacional S/A, que foi também dos pioneiros em pós-graduação dentre as entidades educacionais privadas do país.
Os cursos de pós fazem uma história de ousadia à parte, bem própria do temperamento de Picler: criou a IBEPEX e mandava aviões charter “despejar” professores – mestres e doutores – pelo interior do país…
Com a iniciativa democratizaram-se as pós-graduações.
HISTÓRIA EM ‘VOZES 5’
A história de Wilson Picler e sua visão excepcional para o mundo da educação levou-me a escrever um dos mais interessantes perfis em meu livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, número 5.
A odisseia vivida por esse ex-jogador de basquetebol no colégio, 1,95 cm, formado em Física pela UFPR e com pós na mesma área, é quase inacreditável. A começar pelo dia a dia a que se impusera no CEFET, de muito estudo; e batendo de porta em porta, depois das aulas, a oferecer seus serviços de técnico em eletricidade, consertando aparelhos domésticos. Desse serviço tiraria o sustento em Curitiba.
CAPITAL É NACIONAL
Na semana passada, professor Wilson Picler, de quem sou admirador e amigo, e cuja obra não me canso de apontar como modelar, telefonou-me pedindo que esclarecesse: a Uninter, centro universitário com sede em Curitiba, não tem a participação de capital norte-americano, ao contrário do que esta coluna noticiara: “O Controle da Uninter Educacional S/A, de capital fechado, é meu, que tenho 94% dele; meu filho Raul, 1%; e Edmilson Picler, meu irmão, 5%”.
O grupo Uninter recorreu anos recentes a operação com um fundo nacional de investimento, já totalmente quitada, explicou Picler.
CRESCIMENTO
Os indicativos desse primeiro trimestre são de que a Uninter deverá repetir, este ano, os resultados muito positivos do ano de 2017: crescimento tende a ser de 16% ao ano.
Com sólida tradição em cursos de pós-graduação, o conceito 4 foi atribuído ao MEC pela pós em Educação; 3, em Direito.
Hoje a Uninter Educacional – além dos cursos presenciais em Curitiba -, atinge a 400 cidades de todo o país, onde mantém 600 polos (com tutores). São milhares de professores.

O ‘ENTREPRENEUR’ E SUAS DEFINIÇÕES POLÍTICAS

Wilson Picler, por temperamento não se envolve com entidades empresariais. Nem é um empresário do estilo ‘arroz de festa’. Pelo contrário, mantém a simplicidade dos sábios: dificilmente circula em eventos sociais e raramente é contado entre os chamados caixa-altas de Curitiba.
Bom anunciante dos meios de comunicação, não se insinua à mídia.
Mas ele é um sucesso empresarial e financeiro, atestam seus negócios que, embora sendo capitaneados por uma S/A, não se negociam em bolsas.
Em outros tempos, o apoio de Picler foi muito cobiçado por políticos em busca de suporte para suas campanhas.
Desconhece-se se os atendeu, quando e como.
EX-BRIZOLA
Ele mesmo fez política partidária, no PDT de Leonel Brizola, pelo qual foi suplente de deputado federal. Assumiu por dois anos o mandato.
Rodou, no entanto, em nova tentativa de voltar à Câmara e, desde então, parece ter arrefecido em seu ânimo de vida política.
Tem sido sondado por partidos. Acredito que já escolheu um, mantido “inpectore”.

RADICALISMOS
Hoje quer distância do PDT que, diz, assumiu um protagonismo de teses esquerdistas inconcebíveis para o Brasil de hoje. Cauteloso, não manifesta de forma direta opiniões sobre candidatos. Sabe-se que tem dito “até entender” porque o nome de Jair Bolsonaro ganha tanta aceitação – conforme pesquisas – entre o eleitorado. Acha que a situação atual só gera desilusões com a velha política. Daí admite “um nome novo com tonalidade radical” aparece como explicação. Ele atende, acha, aos reclamos de um país de fraudados pela política de sempre.
JORGE BERNARDI
Amigo de Jorge Bernardi, ex-presidente da Câmara de Curitiba, e com quem militou no PDT, Wilson Picler não comenta a candidatura do vice-reitor da Uninter a governador do Paraná. Limita-se a sacramentar:
“Sou democrata, cada um escolhe seu caminho político dentro da Uninter.
Mas o centro universitário não pode ser associado a campanhas políticas”.
Por isso mesmo, admite: “O Bernardi, se mantiver a candidatura, terá de licenciar-se da Uninter”.



