
Eu não sabia, assim como, acredito, a maioria dos leitores que não atuam no universo do Direito e da Justiça ou, mesmo, da academia jurídica: nos Estados Unidos, sistemas de inteligência artificial, como Watson e Ross, são usados a mancheias em escritórios de advocacia até prever resultados de decisões judiciais.
Parece mentira, mas é isso mesmo. Está na Revista Bonijuris de agosto, obra e graça do inquieto advogado, editor e jornalista Luiz Fernando de Queiroz, que conheço (e de quem sou amigo) desde os dias em que ele foi trabalhar no antigo Diário do Paraná, final dos 1960.
Pinço uma preciosidade, da matéria de leitura obrigatória escolhida e editada por Queiroz, sob o título “Algoritmo: o risco da decisão das máquinas”, raro material de pesquisa e análise assinado por um professor da PUC-MG – Pierre Nunes – e da bacharel em Direito pela UFMG Ana Luiza Pinto Coelho Marques.
É MUITA NOVIDADE
Não há como não ler e absorver tantas novidades no mundo da Inteligência Artificial (IA) mostradas pelo artigo. Uma surpresa, saber que até a AGU trata das matérias de interessa da União com auxílio da IA. E que no STF, aquela casa de senhores e senhoras empolados, que devem ser os guardiães da Constituição, já impera a IA, sob o nome de Victor, sistema desenvolvido pela UNB.
Objetivo das ferramentas lá implantada em 2018 é o de ler os recursos extraordinários interpostos, identificando aqueles ligados a tema de repercussão geral.
Em meio a profusões de novidades sobre IA, a revista de Queiroz, um ser basicamente inquieto diante da vida e suas mudanças, alma conservadora no que tem de ser conservado, adverte: “Um algoritmo criado por seres humanos tendenciosos padecerá do mesmo mal”.

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QUEIROZ, “ÚLTIMO DOS MOICANOS”

Numa sociedade que enxerga o ser humano como seu ativo mais precioso, o papel de Luiz Fernando de Queiroz seria extremamente bem avaliado. O que não ocorre na vida paranaense, onde, acredito, ele mereceria um reconhecimento especial.
Mas está na hora disso acontecer…
Faço a afirmação não apenas por enxergá-lo como um vencedor, do ponto de vista de sucesso material, dono de uma trajetória de business invejável. Seus escritórios da Garante, por exemplo, estão em quase todos os estados do país.
Muito mais, e além dos negócios éticos que ele desenvolve, admiro-o sob outros prismas mais abrangentes e que, ao final, são os que importam quando se quer identificar seres humanos especiais. Um desses empreendimentos absolutamente comunitários, sem dinheiro do erário, é o do Zeladores de Vizinhança, ajudando a despichar e manter limpa Curitiba.
Palavras tão definitivas e entusiasmadas sobre esse editor, empresário, jornalista (formado pela UFPR), mestre em Direito Imobiliário são impulsionadas especialmente pela leitura da edição de agosto da sua revista Bonijuris, publicação que entra na linha dos ‘últimos dos moicanos’ no mundo das revistas técnicas ainda impressas. É um primor gráfico e de conteúdo, linha a linha cuidado por Luiz Fernando.
A ciência do Direito é o tema central da revista que ele teima em publicar, por vezes exigindo-lhe papel que ainda não experimentara, como a de ser até vendedor de patrocínios e publicidade naquelas páginas que acolhem artigos jurídicos de todo o país.
O dono da Editora Bonijuris está interessado mesmo é em garantir a perenidade da revista impressa que, ‘como livro tradicional, não deve desaparecer’ – opina sempre.
E mais opina Luiz Fernando de Queiroz: “Nada substitui o prazer da leitura de uma revista ou de um livro impresso. O compulsar volumes de livros e revistas nos remete a uma realidade que tem tudo a ver com a trajetória do homo sapiens na Terra.”
Já tracei o perfil de Luiz Fernando e Ellin, sua esposa, companheira de empreendimentos e de uma vida sem paralelo imediato. Mas, reconheço, todos os dias ele nos surpreende. Por vezes o identifico ao lado de escritores e poetas como Anita Zippin e Adélia Woellner, apoiando iniciativas culturais. Outras o vejo submergir, com a maior discrição, no apoio a seres necessitados de todo tipo de ajuda, com o mesmo despreendimento com que, praticamente, subsidia essa Revista Bonijuris que qualquer operador do Direito tem obrigação de conhecer e divulgar.
Salve o Queiroz, raridade humana.
