Alguns leitores me perguntam o porquê de eu dedicar expressiva cobertura aos atos e à história da Academia Paranaense de Letras (APL).
Para esses indagadores, a APL seria “um centro de beletrismo que anda na contramão de nosso tempo” – dizem.
De saída, para eliminar quaisquer suspeitas, afirmo: não sou candidato à Academia, nunca fui, embora tenha sido convidado por vários acadêmicos a concorrer a uma das cadeiras da casa.
Um desses inconformados leitores é antropóloga ligada à UFPR, e a quem respondi direto: “Por isso mesmo, porque há muita gente esclarecida, como você, mas mal informada, que ainda vê a Academia dessa forma…”
BELETRISMO
Faz anos que a APL deixou de ser um reduto de beletrismo. Acho mesmo que a entrada na Academia de nomes como o jurista René Dotti; o crítico de artes e ex-presidente da OAB-PR, Eduardo Rocha Virmond; o professor Belmiro Valverde Jobim Castor (in memoriam); o cronista de Curitiba, Ernani Buchmann; os jornalistas Nilson Monteiro (também romancista); Adherbal Fortes Sá Junior, poeta que cantou Curitiba na peça “Cidade sem Portas”; e Dante Mendonça (outro especial conhecedor de Curitiba e da alma curitibana) – marcou essa passagem.
Hoje a APL caminha para se consolidar como um centro de notáveis, assim como toma o mesmo rumo a Academia Brasileira de Letras (ABL).
Os acadêmicos Darci Piana, empresário de porte e muita representatividade; e o professor e médico Ricardo Pasquini, são parte dessa especial seleção de homens e mulheres especiais hoje na APL.
COM ERNANI
Não exagero, a Academia Paranaense de Letras (APL), sob a presidência de um consumado mestre da política cultural – Ernani Buchmann – caminha para, de alguma forma, tentar ser nossa Academie de France. Vai se firmando como centro de notáveis personalidades da vida paranaense, a começar pela ex-presidente, Chloris Casagrande Justen, perfeitamente ajustada a esse propósito, até como “sinal dos tempos”: ela é uma nonagenária de invejável inserção no mundo presente.
Ernani dá um novo “approach” aos projetos de valorização da APL. No momento, por exemplo, concentra-se – com apoio de outros imortais – para ver transformado em realidade o projeto de fazer o Belvedere do Alto São Francisco beneficiar-se da Lei do Solo Criado. Se aprovado projeto (em parte, dependerá o assunto da decisão de outro imortal, o prefeito Greca de Macedo, acho eu), a Academia poderá partir para o seu mais ambicioso projeto, o da construção de sua sede própria.
Composta por bom percentual de gente prática, como o secretário de Estado Flávio Arns, a APL vai fazendo papel supletivo ao do poder público em tarefas importantíssimas. Uma delas é o trabalho denominado de “Academia Paranaense de Letras vai à Escola”, cujo alvo é “saturar” o ensino básico com informações e análises da História do Paraná. Nessa missão conta com o apoio das academias de letras de cidades diversas do Estado.
Mas não se pode esquecer: o Belvedere do Alto do São Francisco vai sediar o chamado “Observatório da Cultura do Paraná”, cujo nome é autoexplicativo.
