
Nunca faltaram vozes que se autoproclamaram “proféticas”, no analisar a política paranaense. Uma das mais constantes e vigorosas delas foi Aníbal Khoury que acabou, por 30 anos – pelo menos – sendo o poder, de fato, no Paraná. A ponto de o ex-governador Jayme Canet ter um dia dito, para a posteridade: “Aníbal é o poder. O resto é Governo…”
Aníbal, poderoso como só ele, com influência enorme no Judiciário, controle do Legislativo e, por vezes, até do Executivo, podia assim exercer abalizados feitos premonitórios da política paranaense.
Afinal, o futuro dependia enormemente dele, artífice e “profeta” trabalhando situações que jamais escapariam de seu gerenciamento.
Ele era muito o “Senhor do Destino do Paraná”.
FUTURO AGORA INCERTO
Nos dias de hoje, embora alguns atores que conviveram muito de perto com Khoury ainda estejam aí nas lides políticas – como Alvaro Dias, Osmar Dias, Ricardo Barros, Beto Richa, Roberto Requião -, “tornou-se quase milagre fazer previsões”. É o que me dizia neste 26, um deputado federal que, por ora, prefere não se alinhar com nenhuma das correntes postas. E que pede o anonimato.
“Até porque – explica – nem os majorengos da política paranaense sabem que futuro lhes espera depois de abril de 2018.”
O compasso de espera domina o panorama.
Assim, para esse político, que não tem os “dons de Aníbal”, o mais fácil parece ter sido ele vocalizar certas perguntas, algumas até com tons de perplexidade:
PERGUNTAS PERSISTENTES
1 – Beto Richa será mesmo candidato ao Senado? Ou ficará até o fim de seu mandato no Palácio Iguaçu?
2 – Quem ainda aposta que Osmar Dias concorrerá mesmo ao Governo do Paraná? Ou que entrará no Podemos?
3 –Roberto Requião sabe, afinal, se tentará voltar ao Governo ou repetirá o Senado (para cuja candidatura teria, de saída, 30% dos votos)?
4 – Álvaro Dias poderá ou não – ao fim e ao cabo de sua pré-campanha presidencial -, ficar mesmo com a eleição para o Governo do Paraná?
BARROS NO SENADO
Em meio a essas indagações, o parlamentar não descartou outros exercícios futurológicos. Um deles, admitindo a permanência de Beto Richa no Palácio Iguaçu, incluiria a candidatura de Ricardo Barros ao Senado:
– Ricardo é articulador insuperável, trabalhador e inteligente…
Cida Borghetti assumindo o governo, em 2018, hipótese que o analista não descarta, “aí as coisas poderão assumir outros rumos, com as articulações de Ricardo Barros, que não terá dificuldades de atrair a si e à esposa hoje essa multidão de lideranças municipais que gravitam em torno do governador”. Com caneta na mão e Ricardo Barros na articulação, Ratinho Junior não mais provocaria os “frissons” que hoje causam…
COMO IRMÃOS
Muito próximo de Alvaro e Osmar, o parlamentar ouvido pela coluna foi cauteloso a se manifestar sobre o apoio do senador ao irmão: “O que sei é que Álvaro dá todo apoio fraterno a Osmar. Nisso é impecável”.
