Nos próximos dias, talvez na quarta, 22, Cabify, aplicativo espanhol de caronas pagas começará a funcionar em Curitiba.
O Uber, que vem reinando mais ou menos solitariamente na cidade nesse terreno – já que não encontrou concorrentes expressivos, nem no Easy Taxi nem no Taxi 99 -, ainda não acusou o golpe.
Talvez perca o lugar de “darling” dos curitibanos que o escolheram ao fugir das tarifas altíssimas dos táxis.
Há muitas possibilidades disso acontecer.
Eu me incluo hoje entre os usuários frequentes do Uber, embora reconhecendo que o aplicativo de caronas deve – é questão de justiça – submeter-se à lei, legalizando seus serviços. Mas será que à Prefeitura e ao prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo interessam resolver o impasse? Fruet, por exemplo, não quis descascar o abacaxi.
Vejo inúmeras vantagens no Cabify, se forem cumpridas em Curitiba as exigências que o app diz utilizar para admissão de seus motoristas (ou associados?).
E na semana, conversando com pelo menos dois motoristas do Uber que já manifestaram oficialmente intenção de migrar para o Cabify, eles me detalharam aspectos da seleção a que se submeteram no escritório onde se fazem as seleções (fica ao lado da Praça do Expedicionário, no Alto da Rua XV).
Os candidatos admitidos, por dia, na semana passada, seriam cerca de 150, segundo avaliações das mesmas fontes.
EXIGÊNCIAS
O ponto chave que me chama atenção no Cabify (e espero que isso venha mesmo para ficar e não seja ação passageira típica de uma fase de implantação de negócios retumbantes) é o rigor que os espanhóis estão adotando para aceitar motoristas. Primeiro, só aceitam carros que não estejam naquela categoria dos muitos populares (tipo Gol, talvez). Quer dizer: os veículos têm de ter bom espaço e oferecer conforto ao passageiro. Enquanto o Uber aceita carros a partir do ano de fabricação 2008, o Cabify só trabalha com veículos fabricados a partir de 2012.
SEGURANÇA
De minha parte, embora com dificuldades em me acomodar em carros pequenos, nunca me importei muito com a questão espaço. Mais me importa saber com quem viajo e sob que condições de preparo profissional atua o motorista.
Por dever de ofício, sou um ser indagador. Por isso, logo me situei desde os primeiros dias de uso do Uber, com as condições com que ele foi “contratando” seus motoristas (ou colaboradores, ou associados, como queiram). Cedo descobri que o Uber não faz seleção, apenas aceita a inscrição, a exibição da carteira de motorista e, na maioria dos casos nem pediria a exibição presencial dos documentos do carro, o que pode ser feito por via digital ou correios. Isso é o que me contaram vários motoristas do Uber. Vistoria no carro? Nem se cogita disso…
ENTREVISTAS
A ótima novidade é que os espanhóis não aceitam qualquer um tangido pelo desemprego ou pela simples necessidade de trabalhar. Eles fazem detalhada entrevista com o candidato, pedem exames toxicológicos e de saúde em geral, e, o mais importante, o candidato a dirigir pelo novo aplicativo têm de obrigatoriamente exibir atestado policial indicando que têm bons antecedentes. São pessoas confiáveis, pois, até prova em contrário.
E, viva: o carro sofre ampla vistoria por agentes do Cabify.
VASSOURA NOVA
Tomo com as devidas cautelas outras promessas que o Cabify faz, como a de que promover teste psicológico nos candidatos, o que descubro em páginas da web. Assim como espero que o aplicativo promova instruções sobre o comportamento do motorista no relacionamento de um público multifacetado de uma cidade exigente como é Curitiba.
Há outros indicativos positivos do Cabify: ele não aceitará pagamentos em dinheiro, só on line.
Enfim, não quero ver no novo aplicativo de caronas hoje bem-sucedido em São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte, o cumprimento daquele velho adágio: “vassoura nova varre bem, especialmente nos cantos”.
