
Quem costuma acompanhar o noticiário nacional já deve ter topado com Reinaldo Azevedo. De blogueiro de “Veja”, onde militava desde 2006, tornou-se comentarista da RedeTV e dono de um programa na Bandnews, além de seguir como colunista semanal da Folha de S Paulo. Que não se negue ao jornalista o pão nosso de cada dia.
Crítico do PT e de Lula, a quem chamava de apedeuta – termo depois renegado –, Azevedo foi esfacelando sua retórica em prol de um juízo contrário a tudo que emanasse da Justiça Federal em Curitiba, da Procuradoria Geral da República ou do Supremo Tribunal Federal. Ficou chato. Maniqueísta.
GRAMPEADO
Até seus leitores mais fiéis, e ele registrava 7 milhões de acessos em “Veja”, começaram a abandoná-lo. Há um mês, pouco mais pouco menos, a Polícia Federal vazou gravação em que Azevedo conversava com Andréa Neves, irmã do senador Aécio, e uma de suas fontes. Era, de fato, um ataque frontal ao sigilo garantido constitucionalmente ao jornalista no exercício da profissão.
A ação destrambelhada fez com que o blogueiro pedisse demissão da revista e, de supetão, também da rádio Jovem Pan, onde apresentava um programa matinal. A imprensa registrou indignação com o vazamento, censurou-se o procedimento aloprado do Ministério Público Federal e da PF, mas o estrago já estava feito. Dois dias depois, um pouco mais um pouco menos, Reinaldo Azevedo surgia com blog hospedado no portal da RedeTV e um programa novinho na Bandnews. Nenhuma surpresa. Nenhuma mesmo. Com sete milhões de acessos, não há meio de comunicação que não queira contratar jornalista de tal envergadura que carregue consigo, também, audiência expressiva.
“CARTILHA”
O problema é a temática. Não passa dia (ou hora, ou minuto) em que Azevedo não teça lá um senão contra as decisões do juiz Sérgio Moro, do procurador Rodrigo Janot ou de algum ministro do STF que não reze segundo sua “cartilha”. O jornalista é quase monotemático. No blog o é com certeza. Na rádio dá ao ouvinte alguma pausa. Geralmente cantando versões “torturantes” de músicas de Djavan. É, isso mesmo. Sintonize a Bandnews e ouça (ou veja pela web) por si só.
É GOLPE
Na noite em que o Jornal Nacional trouxe à tona a conversa gravada entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer, Azevedo foi para a trincheira para denunciar o golpismo. Tratava-se de uma conspiração urdida pelo Supremo Tribunal Federal e pela Procuradoria-Geral da República para fazer Carmen Lúcia presidente da República e Rodrigo Janot governador de Minas Gerais. Se o caro leitor acredita em Chupacabra e Boitatá, tudo bem.
Não à toa, Diogo Mainardi, agora um desafeto declarado de Azevedo, enviou a ele aquele recadinho viralizado nas redes sociais. Que tivesse lá suas razões. Foi deseducado.
O LADO É O DELE
Registre-se que Azevedo não mudou de lado. Encontra-se no mesmo. O dele. Engana-se a direita quando diz que ele se tornou um defensor do PT e de Lula. E a esquerda, quando enxerga no jornalista o filho pródigo trotskista que retornou ao lar disposto a dizimar a Lava Jato.
Já se comentou, com total injustiça, que o Tio Rei, como alguns o chamam, é o outro lado de Paulo Henrique Amorim, dono de um blog iletrado que nem merece comentários.
CHATOTORIX
Se é o caso de fazer comparação, convém a lembrança de Lenny Bruce, o comediante norte-americano desbocado e desafiador, que nos anos 60, depois de condenado por obscenidade e atentado à moral (ele não poupava ninguém), passou os últimos shows lendo a íntegra dos seus processos para a plateia. Há um filme dirigido por Bob Fosse e estrelado por Dusty Hoffmann disponível.
NA CAPA DOS BEATLES
Talvez a evocação de Lenny Bruce seja exagerada. Ele era um humorista de stand-up. Reinaldo Azevedo é um jornalista que adora dar pitacos em decisões judiciais. Bruce aparece na última fila de personalidades da capa de “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band” dos Beatles, que está completando 50 anos. Reinaldo, sei lá.
