
Há muitas surpresas à vista no mundo universitário e na área hospitalar de Curitiba do que nossa imaginação possa conceber.
Nesta quinta, 27, por exemplo, o irmão marista June Alisson, 45, que responde pela mantenedora (PUCPR) junto à Santa Casa, terá ampla e supostamente irrestrita conversa com o corpo médico da instituição. Em reunião marcada para as 14 horas.
O QUÊ ACONTECE?
Afinal, o que está acontecendo na relação PUCPR/Santa Casa de Misericórdia de Curitiba?
Uma coisa parece certa: a PUCPR e Santa Casa de Curitiba estariam caminhando para se desligar, do ponto de vista oficial. Há várias alternativas sendo planejadas. A mais forte delas se encaminharia para a montagem de uma parceria da Santa Casa com um fundo de “private equity” (*), nacional ou internacional.
Em que moldes, não consegui apurar.
LUTA HERCÚLEA
Desde que a instituição hospitalar passou a ser controlada pela PUCPR, no começo dos anos 2000, sob a chamada Aliança Saúde, os irmãos maristas têm feito luta hercúlea, visando a manter o mais antigo hospital de Curitiba, que atende 80% de pacientes do SUS, em seus serviços (ambulatórios e internamento).
INCONTORNÁVEL
– Agora a coisa tornou-se incontornável, disse na quarta feira, 26, a esta coluna um dirigente marista para sugerir – apenas sugerir – que estariam em estudos algumas medidas “não com vistas apenas à Santa Casa”.
O grupo marista, que recebe apoio financeiro do Governo federal para manter a Santa Casa como hospital escola -, estaria “cansado do déficit” que a Mesa da SC acusa todos os anos.
OLHANDO NA FRENTE
E muito mais do que “cansada”, a PUCPR estaria – segundo me informa acadêmico da área de Economia da Pontifícia Universidade Católica, com olhar “muito adiante”. Isso implicaria, como primeira medida, a de “liberar-se” da SC. Na Mesa da Santa Casa, a PUCPR tem a maioria dos votos.
MARCELINO CHAMPAGNAT
Mais do que achar uma solução pontual para a sobrevivência do mais antigo hospital de Curitiba, a PUCPR teria em vista um projeto maior: o de desligar-se definitivamente da área de saúde. E dedicar-se exclusivamente à Educação, no que os maristas são craques.
Se isso acontecer, o caldo engrossará. Além da Santa Casa e seu enorme complexo imobiliário (incluindo o antigo Hospital Nossa Senhora da luz, de natureza psiquiátrica) a PUCPR investiu há poucos anos R$ 90 milhões na construção do Hospital Marcelino Champagnat, que só atende a planos de saúde e particular.
CAJURU VAI BEM
Já o Hospital Cajuru, que atende ao SUS, vai bem financeiramente. É também hospital escola, sendo referência em traumas e transplantes renais.
O Champagnat, por sua vez, não estaria dando o resultado financeiro que era expectativa da PUCPR.
FACHADA
Em meio a essas informações geradas por boas fontes, fico a me indagar, tentando entender: “Porque a Santa Casa de Misericórdia passou nos últimos meses por reforma interna?”
A reforma teria sido mera maquiagem, opina um velho médico da instituição, para apontar que “até” a parte histórica do complexo “está se deteriorando”.
Na PUCPR nenhuma fonte oficial quis falar sobre o assunto.
(*) “PRIVATE EQUITY”
São fundos que compram participações em empresas com alto potencial de crescimento e perspectivas de rentabilidade elevada, em setores variados. Essencialmente, os gestores e os investidores desses fundos juntam esforços na tentativa de agregar valor às empresas, participando da gestão delas.
