terça-feira, 16 junho, 2026
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Roberto Dias paga fiança e é solto; Bolsonaro diz que Mendonça é “pessoa ideal” para o STF

Roberto Ferreira Dias (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias foi liberado após cinco horas detido na Polícia Legislativa do Senado Federal. Ele havia sido preso em flagrante nesta quarta-feira, 7, pelo presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, por falso testemunho. No fim da noite, Dias pagou fiança de 1,1 mil reais e foi solto. Omar Aziz deu voz de prisão ao ex-diretor após virem à tona áudios que desmentiam a versão de Dias sobre encontro com o cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominghetti, o suposto revendedor de vacinas, em restaurante em Brasília.

“Rafael, tudo bem? A compra vai acontecer, tá? Estamos na fase burocrática. E em off, fique sabendo, quem vai assinar é o Dias mesmo, tá? Caiu no colo do Dias. E a gente já se falou, né? E quinta-feira (dia 25) tem uma reunião para finalizar com o ministério”, disse o cabo da PM ao interlocutor identificado como “Rafael Compra Deskarpak”, dois dias antes do encontro. O ex-diretor de Logística sustentava que eles tinham se encontrado por acaso.

Ex-diretor negociou com a Davati em fevereiro

Troca de mensagens obtidas pela CPI da Covid por meio de quebra de sigilos e às quais O Antagonista e Crusoé tiveram acesso revela que o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Dias iniciou as tratativas para a aquisição de vacinas junto à Davati Medical Supply em 4 de fevereiro. Além disso, em registro de e-mail do dia 1º de março, o próprio Dias cita um encontro com a Davati e pede ao presidente da companhia, Herman Cárdenas, uma carta de um representante para continuar as negociações que, segundo ele próprio, “parecem boas”. As informações confirmam que Dias mentiu à CPI da Covid, quando disse que não tinha mantido qualquer tipo de negociação para a aquisição de vacinas AstraZeneca e que a responsabilidade pelas tratativas era da secretaria-executiva do Ministério da Saúde, à época comandada por Élcio Franco.

Quebras de sigilo: STF é acionado de novo.

A defesa do ex-superintendente estadual do Ministério da Saúde no Rio George da Silva Divério pediu ao Supremo Tribunal Federal a anulação da quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do coronel da reserva do Exército, estabelecida pela CPI da Covid. Datado de 19 de maio, o requerimento, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (na foto, à direita), chancelado pela comissão, baseia-se em matérias jornalísticas que revelaram que Divério autorizou reformas de galpões na Zona Norte do Rio e da sede da pasta no estado, com dispensa de licitação, usando a pandemia do novo coronavírus como justificativa para a classificação das obras como urgentes.

A medida, porém, foi aprovada somente em 30 de junho, após o depoimento de Wilson Witzel à CPI. Na oitiva, o governador cassado do Rio afirmou que os hospitais federais do estado são “intocáveis” e ” têm dono”. O ex-juiz sugeriu que a comissão quebrasse o sigilo de ex-superintendentes do ministério para descobrir a quem ele se referia. Depois, em reservado, Witzel contou a senadores que falava sobre Flávio Bolsonaro. Os parlamentares esperam obter mais detalhes sobre o caso durante uma sessão secreta com o ex-chefe do Palácio Guanabara.

Advogado-geral da União, André Mendonça

Bolsonaro diz que Mendonça é “pessoa ideal” para o STF

O presidente Jair Bolsonaro classificou nesta quarta-feira, 7, advogado-geral da União, André Mendonça, como “uma pessoa ideal” para o Supremo Tribunal Federal e declarou acreditar que uma “pitada” de religiosidade e cristianismo na corte será bem-vinda. Bolsonaro pretende indicar Mendonça à sucessão de Marco Aurélio Mello, que se aposenta na próxima segunda-feira, 12. O presidente havia anunciado a escolha durante reunião com ministros do governo federal. A designação precisa ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, comandada por Davi Alcolumbre, e pelo plenário da casa. Com a escolha de Mendonça, um pastor presbiteriano, Bolsonaro deseja cumprir a promessa de nomear um ministro “terrivelmente evangélico“.

(Da revista Crusoé)

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