
As cartas da sucessão de Beto Richa estão lançadas.
Os três candidatos mais bem situados nas pesquisas de intenção de votos, Ratinho Junior, Osmar Dias e Cida Borghetti levam bastante em conta o fator religioso como elemento para considerar na campanha eleitoral.
Em comum, os três se consideram cristãos.
RATINHO: APENAS UM CRISTÃO
Ratinho Junior declara-se ‘apenas cristão’, sem opção de denominação religiosa, embora a mãe seja Testemunha de Jeovah e o pai, Ratinho, Católico romano.
Sabe-se que um dos interlocutores frequentes do candidato do PSD é o padre pop e midiático Reginaldo Manzotti.
OSMAR: CATOLICISMO DE RAIZ
Osmar Dias é católico; talvez não praticante. O pai era filho de portugueses e identificado por práticas de um chamado catolicismo ibérico: muita fé, muitas devoções, “mas poucos padres”. A mãe, neta de italianos, era católica devotíssima e encaminhou todos os filhos pelas sendas da Igreja, sendo que Álvaro Dias, por exemplo, foi até seminarista, assim como o irmão Silvio.
Recentemente, Osmar – que nunca escondeu ser ecumênico, aberto a acolher todos os cristãos -, esperava ver inaugurada em Maringá igreja dedicada a Fátima, construída por ele e familiares como promessa feita aos pais.
CIDA: CATÓLICA E ECUMÊNICA
Cida Borghetti, que quer continuar no Governo, é uma católica romana bem definida. Quem entrava na sua sala na vice-governadoria encontrava uma série de ícones e pequenas estatuas religiosas. E também uma grande bíblia aberta, sua leitura frequente.
A governadora trabalha com uma diversidade de assessores católicos e evangélicos. A coronel Audilene Rocha, comandante da PMEP, por exemplo, pertence a uma denominação evangélica.
Um dos bons interlocutores de Cida é o arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo.
A sogra de Cida Borghetti, e sua grande amiga, Barbara Bueno Netto Barros, é membro assídua da Igreja Adventista do Sétimo Dia, assim como seu cunhado, Silvio Barros II, secretário de Infraestrutura.
Ricardo Barros, o marido de Cida e a filha do casal, Maria Victoria, são católicos assumidos.
IMPORTÂCIA DA FÉ NO VOTO
Não é preciso ser estudioso da ciência da Religião, nem antropólogo ou sociólogo ou etnógrafo para avaliar a importância do fenômeno religioso na vida dos povos. Pois mesmo nos dias de hoje, de acelerada secularização de algumas sociedades ocidentais, a questão religiosa assume importância em muitos países.
DIREITA EVANGÉLICA
E não se diga que isso apenas ocorre em países periféricos, pois nos Estados Unidos o fator religioso é muito levado em conta. Especialmente conta na hora das eleições legislativas e presidenciais. Lá, pertencer à chamada direita evangélica é importante. Vale muito nos palanques e nas urnas.
Quase sempre estar com a direita cristã significa votar no Partido Republicano.
ULTRAORTODOXOS
Em Israel, país que nada tem de periferia do mundo, os ultraortodoxos e outros grupos religiosos – minoritários na sociedade judaica –acabam sendo o fiel da balança nas decisões do parlamento israelenses, ganhando representatividade maior do que seus votos, na composição ministerial.
A sociedade israelense, na maioria agnóstica, ateia ou desligada da religião, dobra-se às imposições políticas dos partidos religiosos.
MACRON E SUICÍDIO
A Franca e Inglaterra mantêm-se numa posição intermediária.
Recentemente, por exemplo, o presidente Macron anunciou estar disposto a colher a opinião da Igreja Católica sobre questão que fere corações e mentes das franceses; questão que, de certa forma, divide sociedade: como o governo deve encarar a questão da eutanásia.
As vozes a favor da eutanásia e suicídio assistido vão crescendo em França.
De qualquer forma, o peso moral do catolicismo é ainda consistente em França.
BUSCANDO LUZES
Macron estaria em busca de luzes da Bioética, fortemente definida pela Igreja Católica. O assunto tem marcas claras da Igreja, contra o suicídio e a eutanásia.
Macron deve estar sendo criticado fortemente, pois a França – outrora a “filha preferida da Igreja” – desde a revolução francesa vive a separação do Estado e Igreja.
Na Inglaterra e França há outras peculiaridades. O UK, enquanto a Coroa se mantiver intacta, será sempre vinculado à Igreja da Inglaterra (Anglicana). Mesmo que boa parte da sua população não esteja nem aí para a questão religiosa. Aliás, só 52% dos britânicos se consideram cristãos. Outra parte deve ser agnóstica, até ou pertencer a ramos muçulmanos.
IMPOSTO RELIGIOSO
Curiosamente, nos países europeus mais desenvolvidos do ponto de vista de qualidade de vida e IDH é onde persiste o para nós estranho Imposto da Religião. Ou Imposto de Culto. Com ele, países como a Alemanha, Noruega, Dinamarca e Suécia cobram de seus cidadãos um imposto para financiar as atividades das igrejas.
DIVISÃO DA GRANA
O total apurado anualmente é dividido entre as igrejas dominantes. No caso dos países nórdicos, quase tudo vai para a Igreja Luterana, dominante nesses países. Já os alemães pagam Imposto de Culto proporcionalmente ao número de fiéis católicos romanos e luteranos, identificados pelo censo. Isto quer dizer que a maioria da grana vai para a Igreja Luterana, e cerca de 40% para a Igreja Católica.
