sábado, 27 junho, 2026
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RELIGIÕES TAMBÉM ENTRAM EM NOSSO CARDÁPIO ELEITORAL

Cida Borghetti, Osmar Dias e Ratinho Junior: crenças na mesa
Cida Borghetti, Osmar Dias e Ratinho Junior: crenças na mesa

As cartas da sucessão de Beto Richa estão lançadas.

Os três candidatos mais bem situados nas pesquisas de intenção de votos, Ratinho Junior, Osmar Dias e Cida Borghetti levam bastante em conta o fator religioso como elemento para considerar na campanha eleitoral.

Em comum, os três se consideram cristãos.

RATINHO: APENAS UM CRISTÃO

Ratinho Junior declara-se ‘apenas cristão’, sem opção de denominação religiosa, embora a mãe seja Testemunha de Jeovah e o pai, Ratinho, Católico romano.

Sabe-se que um dos interlocutores frequentes do candidato do PSD é o padre pop e midiático Reginaldo Manzotti.

OSMAR: CATOLICISMO DE RAIZ

Osmar Dias é católico; talvez não praticante. O pai era filho de portugueses e identificado por práticas de um chamado catolicismo ibérico: muita fé, muitas devoções, “mas poucos padres”. A mãe, neta de italianos, era católica devotíssima e encaminhou todos os filhos pelas sendas da Igreja, sendo que Álvaro Dias, por exemplo, foi até seminarista, assim como o irmão Silvio.

Recentemente, Osmar – que nunca escondeu ser ecumênico, aberto a acolher todos os cristãos -, esperava ver inaugurada em Maringá igreja dedicada a Fátima, construída por ele e familiares como promessa feita aos pais.

CIDA: CATÓLICA E ECUMÊNICA

Cida Borghetti, que quer continuar no Governo, é uma católica romana bem definida. Quem entrava na sua sala na vice-governadoria encontrava uma série de ícones e pequenas estatuas religiosas. E também uma grande bíblia aberta, sua leitura frequente.

A governadora trabalha com uma diversidade de assessores católicos e evangélicos. A coronel Audilene Rocha, comandante da PMEP, por exemplo, pertence a uma denominação evangélica.

Um dos bons interlocutores de Cida é o arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo.

A sogra de Cida Borghetti, e sua grande amiga, Barbara Bueno Netto Barros, é membro assídua da Igreja Adventista do Sétimo Dia, assim como seu cunhado, Silvio Barros II, secretário de Infraestrutura.

Ricardo Barros, o marido de Cida e a filha do casal, Maria Victoria, são católicos assumidos.

IMPORTÂCIA DA FÉ NO VOTO

Não é preciso ser estudioso da ciência da Religião, nem antropólogo ou sociólogo ou etnógrafo para avaliar a importância do fenômeno religioso na vida dos povos. Pois mesmo nos dias de hoje, de acelerada secularização de algumas sociedades ocidentais, a questão religiosa assume importância em muitos países.

DIREITA EVANGÉLICA

E não se diga que isso apenas ocorre em países periféricos, pois nos Estados Unidos o fator religioso é muito levado em conta. Especialmente conta na hora das eleições legislativas e presidenciais. Lá, pertencer à chamada direita evangélica é importante. Vale muito nos palanques e nas urnas.

Quase sempre estar com a direita cristã significa votar no Partido Republicano.

ULTRAORTODOXOS

Em Israel, país que nada tem de periferia do mundo, os ultraortodoxos e outros grupos religiosos – minoritários na sociedade judaica –acabam sendo o fiel da balança nas decisões do parlamento israelenses, ganhando representatividade maior do que seus votos, na composição ministerial.

A sociedade israelense, na maioria agnóstica, ateia ou desligada da religião, dobra-se às imposições políticas dos partidos religiosos.

MACRON E SUICÍDIO

A Franca e Inglaterra mantêm-se numa posição intermediária.

Recentemente, por exemplo, o presidente Macron anunciou estar disposto a colher a opinião da Igreja Católica sobre questão que fere corações e mentes das franceses; questão que, de certa forma, divide sociedade: como o governo deve encarar a questão da eutanásia.

As vozes a favor da eutanásia e suicídio assistido vão crescendo em França.

De qualquer forma, o peso moral do catolicismo é ainda consistente em França.

BUSCANDO LUZES

Macron estaria em busca de luzes da Bioética, fortemente definida pela Igreja Católica. O assunto tem marcas claras da Igreja, contra o suicídio e a eutanásia.

Macron deve estar sendo criticado fortemente, pois a França – outrora a “filha preferida da Igreja” – desde a revolução francesa vive a separação do Estado e Igreja.

Na Inglaterra e França há outras peculiaridades. O UK, enquanto a Coroa se mantiver intacta, será sempre vinculado à Igreja da Inglaterra (Anglicana). Mesmo que boa parte da sua população não esteja nem aí para a questão religiosa. Aliás, só 52% dos britânicos se consideram cristãos. Outra parte deve ser agnóstica, até ou pertencer a ramos muçulmanos.

IMPOSTO RELIGIOSO

Curiosamente, nos países europeus mais desenvolvidos do ponto de vista de qualidade de vida e IDH é onde persiste o para nós estranho Imposto da Religião. Ou Imposto de Culto. Com ele, países como a Alemanha, Noruega, Dinamarca e Suécia cobram de seus cidadãos um imposto para financiar as atividades das igrejas.

DIVISÃO DA GRANA

O total apurado anualmente é dividido entre as igrejas dominantes. No caso dos países nórdicos, quase tudo vai para a Igreja Luterana, dominante nesses países. Já os alemães pagam Imposto de Culto proporcionalmente ao número de fiéis católicos romanos e luteranos, identificados pelo censo. Isto quer dizer que a maioria da grana vai para a Igreja Luterana, e cerca de 40% para a Igreja Católica.

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