
Ao apresentar-se como candidato “fora da elite”, Ratinho Jr. parece cometer o mesmo erro de 2012, quando esteve a um passo da vitória na eleição para a prefeitura de Curitiba e acabou derrotado no segundo turno.
O NOVO E O VELHO
Com tantos anos na política (foi deputado estadual, deputado federal e secretário de Desenvolvimento Urbano do Paraná no segundo mandato de Beto Richa), ele ainda insiste em apresentar-se como novo. Pior. Para reforçar a sua condição novidadeira, carimba nos outros o “velho”. É um erro.
BICHO-PAPÃO
Na disputa com Gustavo Fruet, há seis anos, os marqueteiros de Ratinho Jr. decidiram que, com Dilma Rousseff na presidência, era hora de transformar o PT, aliado de Fruet, em bicho-papão. Só esqueceram de combinar com os eleitores.
OS DE SEMPRE
Em 2018, quando uma tendência liberal-conservadora toma conta do país no pós-petrolão, Ratinho Jr., surge em cena condenando as elites políticas que dominaram o Paraná nos últimos 40 anos. Os Richa, inclusive.
Isso deve ser posição de moto próprio de Ratinho Jr., pois, sei, boa parte de seu primeiro staff é muito qualificado, tem competência comprovada, e não deve estar por trás desses equívocos de campanha.
REALEJO BÁSICO
Suspeita-se que pré-candidatos são amparados por pesquisas de opinião ao fazer afirmações que destoam do “realejo” básico. É de se presumir, portanto, que mesmo ocupando a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, pasta utilizada por um sem número de políticos, para catapultar seu nome no interior do estado, Ratinho Jr. era um “estranho no ninho” ou nessa condição quer ser lembrado daqui até a eleição, em outubro.
HISTÓRICO
“O Paraná tem um histórico de famílias tradicionais de vida pública que nunca foi mudado. Temos três ou quatro famílias que governaram o Paraná nos últimos anos”, disse em entrevista à Gazeta do Povo.
POPULARIDADE
O pré-candidato do PSD, contudo, não se importa com essa ligação. Acha que o eleitor vai se nortear por sua popularidade e não pela ligação estreita que guarda com o governador durante os últimos atos.

EPISÓDIO LAMENTÁVEL
Sobre a Batalha do Centro Cívico em 2015, que confrontou professores e policiais, diz que foi um “episódio lamentável”. “Houve abuso de todos os lados”. Sobre a possibilidade de vir a compor uma chapa com Cida Borghetti, assumindo o cargo de vice, reputa como besteirol. Sua afirmação textual, em verdade, é mais light: “Nunca cogitei isso”. O que é o mesmo que desprezar tal insinuação.
EM NOME DA ESTABILIDADE
Não se deve negar a capacidade de atrair votos de Ratinho Jr. As pesquisas até lhe são simpáticas, mas é cedo para falar em favoritismo.
O quadro de postulantes ao Palácio Iguaçu, à medida que se desenha, também dá brechas a surpresas. A ponto de garantir uma mulher no governo do estado em consonância com um projeto de estabilidade no país. O PSDB aposta nisso. Geraldo Alckmin aposta nisso. E as negociações já estão a todo vapor. Quem viver, verá.
