
Governador já provou o amargo, por isso está colhendo o “doce” da boa exposição nacional agora feita por Kassab.
Por Aroldo Murá G.Haygert, jornalista
No que repousa a liderança do governador Ratinho Junior, a ponto de ser agora apontado pelo presidente nacional do PSD, ex-ministro Gilberto Kassab, como um quadro de grande importância para eventualmente concorrer à Presidência da República?
O governador dos paranaenses, depois de ter passado por quase oito anos servindo ao governo Beto Richa, fez da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, tudo indica, uma escola magistral. Lá desabrochou a sua forte vocação para a vida pública.
Trabalhou pesado, jogou o jogo da política de sempre, agindo com a precisão dos que sabem que a natureza não dá saltos. Por isso, preparou-se, foi testado em eleição majoritária para prefeito de Curitiba, perdeu. Dominou partidos políticos, impôs-se na ALEP. Depois das perdas, reergueu-se, venceu sucessivas eleições e sai agora vitorioso absoluto no Paraná, ganhando um terço das suas prefeituras no domingo 15. Não é pouco. Seu maior feito, por exemplo, foi com os resultados do apoio dado a Rafael Greca de Macedo, que custou, parece, até um certo afastamento de um antigo, fiel e forte aliado, Ney Leprevost. Mas, graças, continuam no mesmo barco.
Ratinho Junior vai em frente com seu projeto de jovem bem montado, cheio de planos, com espírito público objetivo e, graças, sem os pecados que tanto marcam os senhores da política dita tradicional.
Que seja esse propósito tenha a marca do “nunc et semper” – para agora e sempre -, pois ele já está experimentando o doce da vida pública, depois de ter vivenciado o amargo de algumas perdas. A prova desse “doce” são os 75% que tem de aceitação em Curitiba, cidade antes tida como absolutamente refratária a “adventícios”. E que refugaria, como tanto se disse, a quem tivesse um nome “nada ortodoxo”…

Carlos Massa Junior, o Ratinho Junior, não pretende circunscrever seu projeto de homem público nas fronteiras do Paraná. Se isso ocorrerá em 2022 ou mais adiante, só Deus sabe.

O que parece claro é que ele é um administrador ambicioso, que sabe quão duro e difícil é o caminho a percorrer, como foi aquele percorrido por paranaenses de primeira plano em nossa História – Ney Braga, Parigot de Souza, Jaime Lerner, Jayme Canet Junior, dentre outros. Esses tiveram feições de estadistas, sendo seus governos paradigmáticos na História do Paraná.

Em meio à exposição do nome do governador – colocado pelo PSD como alternativa para futuras eleições presidenciais – pergunta-se muito: “Quem faz a cabeça de Ratinho Junior?”.

A resposta, direta, sem tergiversações, é-me dada por um discreto analista do entorno, o “homo politicus” e deputado estadual Luiz Carlos Martins:

– Ninguém faz a cabeça de Ratinho. Ele, um ser educadíssimo e atencioso, pode me ouvir e ouvir a você. Com certeza divide muitas de suas indagações com Guto Silva e Ortega – ou Reinhold Stephanes. Mas ninguém faz a cabeça dele. Ele é, no fundo, habilidoso piloto de um vôo solo. Por ora.

