domingo, 28 junho, 2026
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PRÉ-CANDIDATO PODE TUDO. SÓ NÃO PODE SER CANDIDATO

Marina Silva e Manuela D’Avila: na UniCuritiba
Marina Silva e Manuela D’Avila: na UniCuritiba

A menos de cinco meses da eleição e a Justiça Eleitoral determinada a mudar a aparência sem mudar a essência, inventou o pré-candidato candidato. Na prática, qualquer dos postulantes a um cargo público hoje pode apresentar propostas, promover reuniões, minicomícios, participar de debates em universidades, sindicatos e associações de classe, tomar cafezinho com eleitores, desfilar na Boca Maldita e, pasme, pegar criança no colo e beijar. Só não pode pedir voto. O termo deve ser substituído por “apoio”.

COM A LIGEIREZA DOS TEMPLOS

O surrealismo chegou a tal ponto que uma universidade particular, destas que pululam por aí, erguidas com a ligeireza herdada dos engenheiros de templos, promoveu um debate em conjunto com a Universidade Estadual de Ponta Grossa, Universidade Federal Paraná, UniCuritiba, Unibrasil, Uninter e Isulpar.

Na era da tecnologia, foi possível assistir ao debate ao vivo através de telão instalado nas respectivas instituições e receber perguntas da plateia presencial ou da virtual, via whatsapp. Nada mais simples. O público era formado principalmente por estudantes de direito, mas o coordenador de uma das faculdades achou por bem deixar a critério dos professores liberar ou não os alunos para o debate causando um bizarro “jus esperneandi” entre aqueles que queriam aula ou queriam debate.

EFEITO PRÁTICO DO “LEVIATÔ DE HOBBES

O caso seria facilmente resolvido com uma edição do “Leviatã” de Hobbes funcionando, não só na teoria, mas na prática, ao acertar o cocuruto do coordenador, sem corporificar o ato em lesão corporal. No fim das contas o que se viu, por força dos que votaram pela aula, foi um professor de ciência política defendendo a importância do debate político num momento em que a justiça eleitoral reduz ainda mais a campanha – de 3 meses para 45 dias.

O festival de incoerência foi tão pródigo que a aula tratou exatamente da participação política em decisões que vão além do voto em seus representantes, mas de fiscalização, cobrança e tudo aquilo que nos faz bailar e sacolejar risonhos na “grande festa da democracia”. Sem efeito prático, porque obtuso é o corpo docente que a advoga.

CODINOME “AVIÃO”

No primeiro dia da sabatina, houve a participação de Jorge Bernardi, da Rede, um político de inegável verve política, e de Piva, do Psol, um histriônico para dizer o mínimo, chamado às pressas para substituir a governadora Cida Borghetti, obrigada a cumprir agenda oficial.

No segundo dia, quando se tratou dos “candidatos federais”, que o coordenador considerou desimportantes, subiram ao palco do auditório da Unicuritiba, de onde as imagens estavam sendo geradas, a pré-candidata da Rede à presidência, Marina Silva, e a bela presidenciável do PCdoB, Manuela D´Ávila, também chamada de “avião” por seu suposto codinome na lista da Odebrecht.

NÃO É LÁ UMA HARVARD

Enquanto isso, na sala apertada de uma universidade particular, que não é assim nenhuma Harvard, discorria-se sobre a importância do voto obrigatório, sobre as manifestações de rua e, em breve, também sobre os movimentos populares com aulinhas práticas de como montar sua barraquinha de lona preta em qualquer lote disponível (ou não). Ó céus.

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