terça-feira, 12 maio, 2026
HomeMemorial"PRA PRENDER LULA, SERÁ PRECISO MATAR GENTE", SENTENCIA DIZ GLEISI

“PRA PRENDER LULA, SERÁ PRECISO MATAR GENTE”, SENTENCIA DIZ GLEISI

José Dirceu: convocação geral; Fernandinho Beira-Mar: também pode?
José Dirceu: convocação geral (Foto: Giuliano Gomes/PRPRESS); Fernandinho Beira-Mar: também pode? (Foto: Tasso Marcelo/Estadão Conteúdo)

A uma semana do julgamento de Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, e o que se vê são companheiros em surto. Pior: arquitetando saídas perigosas, que podem fazer incitar a militância – se ela ainda não for uma peça de ficção. Partícipe do mensalão e do petrolão, o ex-ministro José Dirceu, ora em liberdade condicional, chamou a turba para o “dia da revolta”. É pouco provável que haja uma adesão maiúscula, mas só o fato de um condenado pela Justiça poder incitar manifestações sem provocar-lhe, por exemplo, o retorno à função de bibliotecário no Complexo Médico Penal de Pinhais, causa certa apreensão aos juristas.

Afinal, se Dirceu está livre para enviar mensagens de incitamento, o mesmo podem fazer Marcola e Fernandinho Beira-Mar, sem que lhe isso lhes cause qualquer punição ou agravamento penal.

SEM FREIOS

A senadora paranaense Gleisi Hoffmann subiu dois degraus na escala do quão tresloucado pode ser um líder político quando livre dos freios sociais que qualquer criança em tenra idade aprende a controlar afirmou em entrevista ao site Poder360, que “para prender Lula, será preciso matar gente”.

No mínimo, é uma irresponsabilidade.

FOI MAL

Gleisi Hoffmann: mais um desastre (foto: Adriano Machado/Reuters)
Gleisi Hoffmann: mais um desastre (foto: Adriano Machado/Reuters)

Gleisi acaba de ser “trolada” – para usar uma expressão dos internautas – ao confundir uma faixa estendida em jogo do campeonato alemão com a demonstração de apoio internacional ao líder máximo do PT. “Forza Luca”, em referência a um torcedor italiano agredido virou “Força Lula” na interpretação equivocada da presidente nacional do PT.

GABINETE DO DR. CALIGARI

Vá lá. Gleisi tem opiniões inarredáveis sobre a legitimidade da Assembleia Constituinte na Venezuela, a manutenção de Nicolás Maduro no poder, e o paraíso socialista erigido pelos Castro, em Cuba. Nada a objetar. Cada louco com sua maníaca.

LEMBRAM-SE DO CASAMENTO?

Mas há outro também que potencializou riscos. No ano passado, a senadora, alegando “desconhecimento”, convocou um ato de petistas no Largo da Ordem, no mesmo horário em que a deputada Maria Victória, filha do ministro Ricardo Barros (Saúde) e da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, casava-se em igreja no mesmo local. Os manifestantes captaram a mensagem da guru e dirigiram-se ao local de ovos em punho. Gleisi desculpou-se, mas de maneira esfarrapada porque o estrago já estava feito.

ENXABIDOS

Não há por que acreditar, a essa altura, que o “dia de revolta” conclamado por José Dirceu ou o “tudo ou nada” de Gleisi tenha algum efeito nos enxabidos petistas que ainda se dignam a desfraldar a bandeira vermelha, no mais tão envergonha quanto a verde-amarela, da qual se aproveitou a direita sombria e excludente.

TEMPOS MUITO ESTRANHOS

Ainda que haja exemplos delirantes a refutar tal afirmação, a verdade é que o crédito dado a falastrões da política nacional está em queda. Os tempos são muito estranhos, diria Doris Kearns Goodwin, que recortou, em livro, os dias de Franklin e Eleanor Roosevelt na Casa Branco durante a Segunda Grande Guerra. Estranhos, mas não irresponsáveis.

Leia Também

Leia Também