
A uma semana do julgamento de Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, e o que se vê são companheiros em surto. Pior: arquitetando saídas perigosas, que podem fazer incitar a militância – se ela ainda não for uma peça de ficção. Partícipe do mensalão e do petrolão, o ex-ministro José Dirceu, ora em liberdade condicional, chamou a turba para o “dia da revolta”. É pouco provável que haja uma adesão maiúscula, mas só o fato de um condenado pela Justiça poder incitar manifestações sem provocar-lhe, por exemplo, o retorno à função de bibliotecário no Complexo Médico Penal de Pinhais, causa certa apreensão aos juristas.
Afinal, se Dirceu está livre para enviar mensagens de incitamento, o mesmo podem fazer Marcola e Fernandinho Beira-Mar, sem que lhe isso lhes cause qualquer punição ou agravamento penal.
SEM FREIOS
A senadora paranaense Gleisi Hoffmann subiu dois degraus na escala do quão tresloucado pode ser um líder político quando livre dos freios sociais que qualquer criança em tenra idade aprende a controlar afirmou em entrevista ao site Poder360, que “para prender Lula, será preciso matar gente”.
No mínimo, é uma irresponsabilidade.
FOI MAL

Gleisi acaba de ser “trolada” – para usar uma expressão dos internautas – ao confundir uma faixa estendida em jogo do campeonato alemão com a demonstração de apoio internacional ao líder máximo do PT. “Forza Luca”, em referência a um torcedor italiano agredido virou “Força Lula” na interpretação equivocada da presidente nacional do PT.
GABINETE DO DR. CALIGARI
Vá lá. Gleisi tem opiniões inarredáveis sobre a legitimidade da Assembleia Constituinte na Venezuela, a manutenção de Nicolás Maduro no poder, e o paraíso socialista erigido pelos Castro, em Cuba. Nada a objetar. Cada louco com sua maníaca.
LEMBRAM-SE DO CASAMENTO?
Mas há outro também que potencializou riscos. No ano passado, a senadora, alegando “desconhecimento”, convocou um ato de petistas no Largo da Ordem, no mesmo horário em que a deputada Maria Victória, filha do ministro Ricardo Barros (Saúde) e da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, casava-se em igreja no mesmo local. Os manifestantes captaram a mensagem da guru e dirigiram-se ao local de ovos em punho. Gleisi desculpou-se, mas de maneira esfarrapada porque o estrago já estava feito.
ENXABIDOS
Não há por que acreditar, a essa altura, que o “dia de revolta” conclamado por José Dirceu ou o “tudo ou nada” de Gleisi tenha algum efeito nos enxabidos petistas que ainda se dignam a desfraldar a bandeira vermelha, no mais tão envergonha quanto a verde-amarela, da qual se aproveitou a direita sombria e excludente.
TEMPOS MUITO ESTRANHOS
Ainda que haja exemplos delirantes a refutar tal afirmação, a verdade é que o crédito dado a falastrões da política nacional está em queda. Os tempos são muito estranhos, diria Doris Kearns Goodwin, que recortou, em livro, os dias de Franklin e Eleanor Roosevelt na Casa Branco durante a Segunda Grande Guerra. Estranhos, mas não irresponsáveis.
