Com tanta visibilidade em todas as mídias, seria de se esperar que o patrocínio de clubes de futebol fosse disputado a tapas por qualquer empresa. Não é. Neste ano, 15 dos 20 clubes do grupo de elite do Campeonato Brasileiro são patrocinados pela Caixa Econômica Federal. A crise econômica explicaria o motivo. Mas não o suficiente. Em 2013, quando os números da economia ainda eram animadores, o banco público era o principal patrocinador de 15 clubes de elite. De lá para cá, o cenário é o mesmo. Em 2014, 15 clubes. Em 2015, 12 clubes. Em 2016, impressionantes 21 clubes. No total, saíram dos cofres da Caixa, mais de R$ 440 milhões em patrocínio, sempre com a possibilidade de um bônus, caso o clube seja campeão ou garanta vaga para a Libertadores da América.
SUCESSO E FRACASSO
No Paraná, Atlético e Coritiba – os dois principais times da capital – são patrocinados pela Caixa. No interior, o Londrina, que disputa a série B do Brasileiro também estampa a logomarca do banco. O setor privado teme prejuízos com o investimento por causa do alto custo de clubes e jogadores. Se o time não vai bem, o fracasso pode ser associado à marca, dizem especialistas em marketing. Há também a desconfiança em relação aos dirigentes, mesmo que a organização do futebol tenha evoluído anos-luz desde que a Coca-Cola resolveu patrocinar todas as equipes da primeira divisão do Brasileiro, na década de 80.
É SEMPRE DINHEIRO PÚBLICO
O temor também passa pelos atletas. Como o calendário do futebol brasileiro não coincide com o europeu, há sempre o risco de uma estrela de um grande time transferir-se no meio da temporada. Um prejuízo certo para o patrocinador. A Caixa reduziu seu investimento aos clubes nos últimos anos. O valor que chegou a R$ 134 milhões está agora no patamar de R$ 91,3 milhões, ainda que o banco mantenha o status de maior patrocinador do futebol. É assim que compensa o risco de menor visibilidade da marca. Mas é sempre bom lembrar que se trata de dinheiro público.
