
Quem esperava o empresário Joel Malucelli como pré-candidato do Podemos ao governo do Paraná terá que se contentar com Paulo de Tarso Oliveira Abbas, assessor parlamentar do presidenciável Alvaro Dias no Senado.
ILUSTRE DESCONHECIDO
É pouco, quase nada. Abbas é um ilustre desconhecido na melhor acepção do termo. Na prática ele preenche a vaga que Osmar Dias, o irmão de Alvaro, não preencheu em tempo oportuno. Osmar irá concorrer pelo PDT e terá o apoio de Alvaro, ainda que de modo oficioso. Na fachada, no entanto, o senador tapa o buraco e cala os críticos internos – se é que eles existem – com um candidato de fancaria.
DO PRÓPRIO BOLSO
Abbas é funcionário do gabinete de Alvaro Dias em Brasília, mas vem cumprindo expediente no escritório político do senador, em Curitiba. A lei permite. Em 2014, ele doou do próprio bolso R$ 2 mil para a campanha reeleitoral de Alvaro ao Senado, ambos ainda no PSDB.
MENOS DE 2 MIL VOTOS
Abbas também tentou incursionar pela carreira política. Em 2000 foi candidato a vereador em Curitiba, amealhando menos de 2 mil votos, todos eles concentrados na região do Parolin e do Prado Velho. Os vizinhos, ao menos, lhe foram fiéis.
A BRONCA COM OSMAR
A pré-candidatura atende à parcela de filiados do Podemos – se é que eles existem – que era contrária a apoiar o pedetista Osmar Dias. A bronca baseava-se na recusa de Osmar em filiar-se à sigla quando lhe foi oferecida a presidência do Podemos no Paraná e outros tantos quitutes políticos. Osmar recusou o convite calçando botas de couro grosso: disse que só iria para um partido que pudesse comandar. Por isso não foi para o PSB. Pela mesma razão não foi para o Podemos onde, se sabe, o irmão é o cacique e o pajé.
LIVRE PARA VOAR
Observadores internos (e externos) dizem que a escolha de Paulo de Tarso Abbas para disputar o governo do Paraná pelo partido tem cor definida: laranja. Parece verdade. Com a postulância de Abbas, assim, meio forçada, Alvaro Dias fica livre para selar alianças, apoiar Osmar ao governo, ainda que extraoficialmente, fechar acordo com outras siglas e ainda, no dia eleição, fingir que vota em Abbas quando, em verdade, votará no irmão e naqueles que o apoiarem na empreitada presidencial, pertençam ou não à sigla. Não é caso de infidelidade. É da prática. Com um partido nanico como o Podemos só resta a Alvaro emplacar uma grande aliança, sem amarras à direita e à esquerda, e esperar que o mundo gire a seu favor. Abbas bem sabe disso. Em laranjês fluente.
ASA DE MORCEGO, VENENO DE COBRA
P.S.: Na Boca Maldita, correm duas maldades: 1) o vice de Paulo de Tarso Abbas será o Bruxo Chik Jeitoso. 2) O candidato preferido de Alvaro ao governo era Carlinhos Vidente, mas ele não previu sua própria vitória.
