
Não há saneamento básico no Brasil em pleno século XXI, mas há banheiro químico à disposição de manifestantes que, ao fim e ao cabo, depredam patrimônio público. Não há empregos no Brasil para 14 milhões de trabalhadores, mas aqueles que ainda labutam são impedidos de cumprir o expediente por que há um protesto no caminho, no caminho há um protesto. Integrado por dois membros embandeirados e dez pneus queimados. O direito de ir e vir há muito no Brasil foi surrupiado, ainda que figure em artigo na Constituição. Contudo, as autoridades irão garantir sempre, em nome da democracia, que 500 ônibus de manifestantes estacionem em área pública.
MASCARADOS E TROMBETAS
Fechem as ruas, toquem as trombetas, batedores avante! Lá vem a romaria de mascarados a saquear lojas e quebrar vidraças. O orelhão da esquina, talvez o último dos infantes de uma época pré-celular, se foi morto, vergado, pelo peso de uma violência que é vendida nas redes sociais como arma legítima das classes populares.
Há uma contradição em uma manifestação que, se não quer o fim do capitalismo (porque a alternativa é amarga), ao menos deveria preservar a propriedade privada. Nem o patrimônio público nem o privado. Os mesmos que depredam a repartição federal hoje são aqueles que seguem para a fila dos benefícios sociais amanhã.
Em tempos a que se referem – com militares nas ruas – clamava-se pelo fim da ditadura. Agora, os mesmos que pedem o fim da Era Temer são aqueles que silenciaram quando o escândalo da corrupção bateu à porta dos governo ditos populares de Lula e Dilma. Depois reclamam quando lhes impingem o estigma da “mortadela” ou que lhes denunciam o protesto remunerado – pagos pelas opulentas centrais sindicais.
FANTASMA DO GOLPE
O espectro ditatorial só se aplica quando lhes parece conveniente. Que não se aplique o temor quando o Exército invade as ruas do Rio a exorcizar os males das comunidades (leia-se favelas) cariocas. Ora, se um fantasma ronda o país e é o fantasma do golpe militar, não há porque fazer concessões.
Houve um tempo, e acho que foi ontem, que os movimentos sociais levantavam bandeiras legítimas em nome de causas palpáveis. O que querem agora? Que se instale a ditadura do proletariado? Que nos venezuelemos?. Que declaremos guerra aos ianques capitalistas? Ou que nos locupletemos todos. A última alternativa parece cada vez mais real.
