quarta-feira, 6 maio, 2026
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PARA MELHOR ENTENDER O PROJETO

João Doria, na entrevista à TV Cultura (Foto: Jair Magri)
João Doria, na entrevista à TV Cultura (Foto: Jair Magri)

No Roda Viva, da TV Cultura, no último dia 10, o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., anunciou: o escritório de Jaime Lerner foi contratado para trabalhar em um projeto da prefeitura que pretende requalificar o centro da cidade. Leia-se: requalificar não é revitalizar. Revitalizar pressupõe embelezar o degradado. Lerner está incumbido de dar nova vida e novo destino a uma “estrutura devastada”.

FIM DE MUNDO

É fácil saber o que Jaime Lerner pensa sobre o centro de São Paulo. O mesmo que ele pensa sobre o programa do governo “Minha Casa, Minha Vida”. Só que ele lhe dá outro nome: “Minha Casa, Meu Fim de Mundo”.

Com Lerner é certo que São Paulo pode ser outra. Talvez ele tenha acalentado esse sonho por toda uma existência. Harmonizar o maltratado núcleo quatrocentão e dar a ele a vida necessária.

TARTARUGA

Lerner é um entusiasta da mobilidade. Seu símbolo de qualidade de vida é a tartaruga, aquele animal, que exerce suas atividades durante o dia, e recolhe-se em sua própria casca durante a noite. Essa é a inspiração do arquiteto urbanista que transformou Curitiba a partir de ideias ousadas.

Se ele vai requalificar o centro de São Paulo, vai começar por criar uma zona mista de moradia e labor. Quem trabalhar nos arredores, também vai morar nele. Nada de “Minha Casa, Meu Fim de Mundo”. Os parques, os restaurantes e a diversão também estarão em seu entorno e as estações de metrô serão centros de cultura, afinal há sob o chão de asfalto, nas galerias e nos desvãos do metrô, espaços maravilhosos que podem ser aproveitados.

CRÍTICO DO CARRO

Lerner é um crítico declarado do automóvel. Diz que “o carro é o cigarro do futuro”. No Brasil o que se faz, afirma ele, é trazer a cidade para o prédio. O espaço de brincar, de comer, é tudo apertado. Por quê? Lerner quer ver a cidade respirar urbanidade e convívio e não apenas a pressa de ir de casa para o trabalho, do trabalho para a casa.

Ele é um entusiasta dos espaços públicos. Fez do parque uma marca. Mas observa: espaço público deve ser manifestação de “ecoarquitetura”, não de “egoarquitetura”. Se alguém vestir a carapuça…

MÃOS À OBRA

Na entrevista, Doria explicou: o ex-governador (Lerner prefere ex-prefeito) irá atuar em projetos em várias áreas como habitação, mobilidade, zeladoria, praças, área verdes, aspectos arquitetônicos históricos. A previsão para a finalização do projeto é de 12 anos.

Lerner já está pondo mãos à obra.

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