sexta-feira, 24 julho, 2026
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RUMO ÀS URNAS (PREFEITURA): PARA JOÃO GUILHERME, DO NOVO, GRECA É PREFEITO “ANTIQUADO, CONFUSO E NÃO CLARO”

Defensor do liberalismo econômico, não será complacente com contratos “estranhos” de fornecedores da Prefeitura. E gerar renda para a população será seu mote de campanha.

Médico João Guilherme, pré candidato do Partido Novo a prefeito de Curitiba: respostas claras definem metas.

Dentro da proposta de ouvir opiniões de pré candidatos a prefeito e vereador de Curitiba, a Coluna/Blog fez ampla entrevista com o médico João Guilherme, 46. Ele quer ser prefeito de Curitiba, pelo Partido Novo, porque, sobretudo, se identifica com as propostas liberais para a e economia.

Admite ser um político centro-direita. Até por isso, tem um olhar profundo sobre Curitiba, que considera uma cidade muito desigual – “basta percorrer sua periferia”. A desigualdade social é tema que está em seu radar de candidato nem um pouco conformado com a gestão Rafael Greca de Macedo: “Ele é mais poeta”.

O alcaide, diz, vive muito à antiga, poetando, e não tem liderança. A análise de João Guilherme é ampla sobre as falhas que diz ver no atual governo Greca de Macedo. Até por isso, pretende examinar com lupa os contratos que a Municipalidade fez com diversos fornecedores. Muitos sendo objeto de contestações até na justiça.

Uma das observações mais severas de João Guilherme sobre o atual prefeito mostra que ele será um candidato que muito incomodará, como quando crava:

– A crise gerada pela pandemia mostrou muito essa falta de liderança. Um dia pode abrir academia, outro dia não pode, mas pode abrir shopping. Qual o critério científico? Ele (Greca) é movido a pressão de grupos. Essa situação mostrou dois defeitos graves da atual administração: que é uma gestão confusa, sem um norte, e que falta transparência”.

 

“PORQUE CANDIDATO?”

Porque é candidato a prefeito de Curitiba e quais suas raízes na Capital (citando participações comunitárias)?

Resposta:

Muitas pessoas que não se interessavam por política passaram, de alguns anos para cá, a acompanhar os temas que a envolvem e isso é bom para a democracia. Essa mudança fez com que pessoas que não tinham preocupação em se envolver percebessem que elas deveriam, sim, ocupar esses espaços e se tornar opção de uma nova boa política. Isso é o que me motiva já há alguns anos: a certeza de que temos capacidade de transformação e precisamos ocupar esses espaços.

Tenho envolvimento forte com terceiro setor e voluntariado, principalmente através da Retina do Bem, que é uma ação voluntária criada com objetivo de conscientizar sobre a Diabetes e a Retinopatia Diabética. Essas são complicação que pode causar cegueira irreversível. Mais de 50% dos portadores de Diabetes não sabem sobre a Retinopatia Diabética, o que faz com que o diagnóstico aconteça muito tarde e impossibilitando o tratamento adequado. A entidade promove mutirões de exames de fundo de olho para a população, sem custos.

Mas percebemos que a ação no terceiro setor tem um limite, que é estar fora do sistema político e dos processos de decisão. Tive a oportunidade de ser candidato a vice-prefeito em 2016, o que me deu experiência e bagagem para me credenciar para ser candidato a prefeito, entendi como o processo funciona e acho que esse é o momento de fazer diferença na vida das pessoas.

 

IDENTIDADE COM O NOVO

Como você escolheu o partido NOVO para concorrer? Como resumiria o ideário dessa legenda e como ele se encaixa na sua proposta para administrar Curitiba?

R – Eu me aproximei das ideias do NOVO já em 2016 e percebi uma clara identidade com os princípios do partido. Por isso, ano passado resolvi me filiar e entrar no processo seletivo para ser pré-candidato do NOVO em Curitiba. O Partido tem um processo diferente de escolha dos seus candidatos, no qual você tem de demonstrar estar preparado para administrar a cidade, compreender as necessidades da população, o que é preciso fazer para ser um bom prefeito, ou vereador. E passei por diversas etapas até ser escolhido o pré-candidato do partido, em novembro do ano passado.

O que me chama atenção do Partido NOVO são seus ideais e por acreditar que é possível fazer uma política diferente. O Partido não usa fundo eleitoral, nem partidário, pois acredita que a legenda deve ser sustentada por quem acredita nela e que esses recursos deveriam ser aplicados em políticas públicas. Ainda é proibido, pelo estatuto, repetir o mandato mais de duas vezes e dirigentes partidários não podem concorrer a mandatos eletivos. São práticas que asseguram uma forma diferente, evitam caciques partidários e pessoas que se perpetuam na política.

 

CURITIBA MUITO DESIGUAL

Quais as grandes necessidades da urbe curitibana? Quais as linhas mestras de sua possível administração?

R- Curitiba é cidade linda e da qual temos muito orgulho. Mas basta andar pelos bairros mais afastados para perceber que ela não é a mesma para todos. As obras de infraestrutura e asfaltamento estão concentradas nos bairros mais nobres, algumas ruas sendo “reasfaltadas” enquanto outras, regularizadas, ainda são de terra, causando inclusive problema de saúde para os moradores. Dessa forma, creio que precisamos reavaliar as prioridades da Prefeitura de Curitiba. Olhar mais para as pessoas e para a necessidade de diminuir as desigualdades sociais, econômicas e urbanas.

E, para isso, vamos promover a economia local, priorizar programas de geração de emprego e renda, de retomada da economia. O mundo inteiro viverá momentos econômicos difíceis no pós-pandemia e precisamos reforçar as políticas públicas de microcrédito, de apoio aos comerciantes e empresários que geram emprego e renda, mas que estão sofrendo com essa crise causada pela Covid. Estamos com diversos grupos formados por especialistas e por pessoas interessadas em melhorar a condição da cidade. Esses grupos estão debatendo propostas, nosso Plano de Governo, que vamos divulgar no período da convenção do Partido Novo.

 

DEFENDE LIBERALISMO ECONÔMICO

À direita, ao centro, à esquerda? Qual sua formação política e seu compromisso com uma dessas “definições”. Ser de centro, por exemplo, o que significa para você?

R – Sou de Centro-direita porque acredito no liberalismo econômico e na diminuição do tamanho do Estado, para que se possa investir em áreas essenciais, como saúde, educação e segurança pública. O Estado brasileiro com se tornou grande e ineficiente em todos os níveis, com uma série de gastos desnecessários e privilégios inaceitáveis, como auxílios e verbas extras. O Estado é importante para atuar no equilíbrio econômico e social, o que foi reafirmado agora em tempos de pandemia.

 

“PREFEITO É BOM DE POESIA”

Numa rápida radiografia, me diga o que vai mal na Curitiba do Rafael Valdomiro Greca de Macedo?

R – Falta liderança. O prefeito é muito bom de versos e poesias, é uma pessoa muito religiosa, como eu, mas isso está longe de ser suficiente para administrar uma cidade como Curitiba. Essa crise gerada pela pandemia mostrou muito essa falta de liderança. Um dia pode abrir academia, outro dia não pode, mas pode abrir shopping. Qual o critério científico? Ele é movido a pressão de grupos. Essa situação mostrou dois defeitos graves da atual administração: que é uma gestão confusa, sem um norte, e que falta transparência.

Os dados mostravam a chegada do colapso do sistema de atendimento aos casos de Covid nos hospitais e o prefeito vai à mídia jurar que está tudo sob controle. A Transparência Internacional confirmou essa falta de comunicação clara nos dados: Curitiba passou a vergonha de ser uma das últimas capitais em transparência nos gastos emergenciais para combater a pandemia. Teve que modificar as publicações no site, mas não conseguiu chegar nem as dez primeiras capitais do ranking no novo estudo divulgado nesta semana.

É uma vergonha para uma cidade que se diz inovadora, com a estrutura tecnológica que possui. Além disso, creio que o tempo das pessoas que se perpetuam em cargos públicos deve acabar. O Greca é um político de mentalidade antiga, com práticas antiquadas. Temos condições de ter uma cidade mais moderna, transparente e que pense mais nas pessoas.

Ele não dá exemplo. Não abre mão de privilégios, não diminui o número de cargos comissionados, gasta com itens supérfluos em uma época de tanta crise, e não presta conta. Curitiba não é de uma pessoa e ele tem de compreender isso.

 

O HISTÓRICO DE CURITIBA É BOM

Há pontos positivos na atual administração municipal? Enumere-os, caso existam.

R – Creio que a cidade teve um histórico de construção de políticas públicas que foram exemplo por muito tempo, como na educação, no transporte e na saúde, mas que nesta gestão, essas conquistas de décadas, foram enfraquecidas. Ele fez obras – com dinheiro do governo do Estado – de manutenção de ruas. Mas terminará o mandato sem nenhuma obra estrutural, que tenha mudado a cidade de maneira significativa. Esse embelezamento da cidade não traz como consequência uma melhoria real da qualidade de serviços para as pessoas.

 

DESAFIO É GERAR RENDA

O mundo, o país, e Curitiba, tudo está mudando com a pandemia. A cidade que você pretende administrar terá de ter, obrigatoriamente, de defrontar-se com novas realidades. Na sua visão, quais serviços inovadores terão de ser colocados à disposição do contribuinte, pelo poder público municipal, depois de passado o coronavírus?

R – Termos de investir em programas de geração de renda, de ajuda a micro e pequenos empresários, pensar em como ajudar toda a economia da cidade. A saúde econômica da Prefeitura precisa disso, mas, acima de tudo, as pessoas precisarão desse apoio para se reerguer. A área da Saúde também será essencial nas etapas posteriores, principalmente planejar a cidade para situações de crise. Para isso, o setor de inovação, toda a expertise alcançada pelas Fintechs e startups curitibanas serão importantes. Pensar em formas de a população utilizar de maneira eficiente o sistema de saúde e que possa se cuidar para evitar novas situações pandêmicas. A melhor inovação que poderemos promover é ouvir a população e toda a inteligência que Curitiba possui para otimizar os serviços e a comunicação com a população.

 

PRECISA OUVIR A SOCIEDADE

Se prefeito, pretende mudar radicalmente as relações com a Câmara Municipal, o mantê-la como é hoje: atrelada às ordens da Prefeitura?

R – É preciso, acima de tudo, diálogo, ouvir a Câmara Municipal, mas sem imposição. E ouvir a sociedade antes de apresentar mensagens. Precisamos de leis que digam mais sim do que não para a população, como o sistema de alvará e licença sanitária, ou tempo para aprovação de projetos da construção civil. A Câmara será muito importante neste processo.

 

REVISÃO DE CONTRATOS

Sabidamente, há complicadores atrelando a administração municipal de Curitiba, como certos contratos de prestação de serviços que são enorme caixa preta. Exemplo: com o ICI (que hoje tem outro nome)? Há outros, como o que garante a continuidade dos serviços de radares. É só pesquisar… Seus planos incluem mexer em certos “intocáveis” da Prefeitura?

R – Pretendemos analisar os contratos pontualmente e enfrentar os que não forem bons para a administração pública. É preciso dizer que a Prefeitura está atuando neste período de pandemia com as empresas de ônibus está com muita incompetência. Deveria ter renegociado os contratos neste período de urgência. É preciso coragem e disposição para mudar essa relação, e não ficar atrelado a um discurso de continuidade a interesses de grupos econômicos

 

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UM PRÉ CANDIDATO COM VISÃO

 

João Guilherme de Moraes é médico e empresário, tem 46 anos, é casado e tem três filhas. Formou-se em Medicina em 1997 pela PUC/PR, fez residência em Oftalmologia no Hospital Universitário Cajuru e na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba.

É membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. É preceptor da residência médica em oftalmologia no Hospital da Visão e médico do corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, do Hospital Universitário Cajuru e do Hospital Pequeno Príncipe. Além disso, é chefe do setor de retina do Oftalmo Curitiba – Hospital da Visão e cirurgião-chefe da Retina Curitiba, centro especializado em diagnóstico e tratamento das doenças da retina e do vítreo.

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