sábado, 9 maio, 2026
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PARA FUGIR DO ESTIGMA, UBER APOSTA EM MOTORISTAS MULHERES

Taxi: corrida a R$ 5,00; Uber: preferência às mulheres; Travis Kalanick: nem ele escapou...
Taxi: corrida a R$ 5,00; Uber: preferência às mulheres; Travis Kalanick: nem ele escapou…

Os casos de assédio sexual e de estupro no interior da empresa norte-americana Uber, o aplicativo de carona que ganhou as cidades e o mundo, assim como a expressão em latim “Urbi et Orbi”, quase a fizeram desaparecer do mapa (e do GPS).

Foi preciso uma faxina geral, o que incluiu o vice-presidente da empresa, Emil Michael, e mais recentemente o seu presidente e fundador, Travis Kalanick, para que os investidores dessem prosseguimento ao desenvolvimento do serviço em todo o planeta.

CASO DE POLÍCIA

Em Curitiba, onde a Uber enfrenta a resistência dos taxistas, foram registrados casos de assédio sexual por parte de motoristas; e, no caso mais hediondo, o assassinato de uma mulher que, embriagada, aceitou a oferta de carona de um motorista da empresa e, em meio a uma briga ainda dentro do carro, acabou estrangulada por ele.

A coluna acompanhou o atendimento da Uber nos últimos dias e constatou que o aplicativo adotou uma estratégia de prevenção para evitar novos casos de assédio. Toda chamada vinda de clientes mulheres cadastradas no serviço é atendida por motoristas do mesmo sexo. As exceções só ocorrem em horários de muita demanda ou de urgência relatados pelos usuários.

TODO CUIDADO É POUCO

Uma motorista consultada, que não quis se identificar, confirmou que pelo menos metade dos clientes que atende diariamente são mulheres. Isto porque o aplicativo criou um dispositivo que permite que o serviço de motorista particular seja distribuído pela cidade segundo o gênero, justamente para atender esse tipo de clientela.

O cuidado da empresa se estende também para as regiões da Grande Curitiba onde há maior incidência de crimes. Há um alerta, por exemplo, para que as mulheres motoristas, em especial, evitem rotas onde há ruas sinuosas e sem asfaltamento ou em áreas de baixa concentração de residências e mal iluminadas. Nesses casos, a Uber permite que a motorista recuse a chamada.

FICHA LIMPA

Há um mês o prefeito de Curitiba, Rafael Valdomiro Greca de Macedo, baixou decreto regulamento o serviço do Uber na capital. Foi o fim de um impasse que já durava mais de um ano. Na Câmara Municipal de Curitiba, um projeto que regulamentava o serviço foi abortado depois de protestos de taxistas. A decisão do prefeito pegou a categoria de surpresa. Greca, no entanto, estabeleceu regras para o funcionamento do serviço, entre elas o controle por parte da prefeitura de todas as corridas feitas e a exigência de que os motoristas apresentem certidão de antecedentes criminais.

O perfil das mulheres que dirigem os carros da Uber é de classe média. A maioria tem o serviço como uma segunda renda. São cartorárias, professoras primárias, atendentes de farmácia e até motoristas de ônibus urbanos.

OFERTA E PROCURA

O embate entre a Uber e o sindicato dos taxistas prossegue, mas é fácil prever que a lei da oferta e da procura deve prevalecer. A recente decisão dos motoristas de frota de cobrar uma taxa fixa de R$ 5 em protesto contra o aplicativo fez com que categorias de trabalhadoras de baixa renda como empregadas domésticas e copeiras se utilizassem do serviço de táxi. Algumas delas pela primeira vez. No caso, a conta foi simples: com a passagem de ônibus custando ultrajantes R$ 4,25 (obra de Rafael Valdomiro Greca de Macedo), um táxi com a tarifa tão baixa passa a ser um conforto bem-vindo e merecido. Ninguém discorda.

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