domingo, 10 maio, 2026
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PARA ENTENDER O ‘CABO DE GUERRA’ EM TORNO DA INSULINA

Ministro Ricardo Barros: cabo de guerra com indústria farmacêutica
Ministro Ricardo Barros: cabo de guerra com indústria farmacêutica

Nesta quinta, 21, uma fonte do gabinete de Ricardo Barros, em Curitiba, depois de lamentar que “é evidente a má vontade com que as ações de Barros são aprioristicamente vistas por certa imprensa”, garantiu que o ministro da Saúde está num ‘cabo de guerra’ com a indústria farmacêutica, diante do preço 30% mais caro com que ela entrega a insulina NPH à rede Aqui Tem Farmácia Popular. Exemplificou a distorção: Enquanto se paga R$ 10,5 por frasco para abastecer o SUS, nas farmácias privadas conveniadas ao programa o valor é R$ 26,55. Em ambos os casos o cidadão tem acesso ao medicamento de forma gratuita.

FARMÁCIA CONTINUARÁ

E mais acrescentou: “A existência da Farmácia Popular vai continuar, no que toca ao atendimento do público. Os remanejamentos feitos pelo ministro levaram ao fechamento, apenas, de algumas unidades da farmácia, com absoluta vantagem para o erário: a economia foi revertida em repasses para Estados e Municípios”, garantiu.

PRIVILEGIANDO GASTO COM PESSOAL

Para exemplificar as distorções detectadas pelo Ministério da Saúde na Farmácia Popular, a fonte do Ministério assegurou: o custo com a Farmácia Popular era de R$ 100 milhões. Desses, R$ 80 milhões exclusivamente com pagamento de pessoal e lojas, restando apenas R$ 20 milhões para o fornecimento de remédios.

Em análise dos custos, o Ministério da Saúde identificou, segundo informa à coluna a assessoria do ministro Ricardo Barros, uma grande discrepância no preço de aquisição de medicamentos que são distribuídos para população em diferentes programas.

152% MAIS CARO

O preço pago pela insulina NPH no Aqui Tem Farmácia Popular é 152% mais caro que o valor pago pela pasta na compra centralizada para distribuição nas unidades de saúde de todo o país.

ECONOMIA DE R$ 200 MILHÕES

Segundo estudos internos, se toda a distribuição de insulina (Regular e NPH) do país fosse adquirida pelo preço adotado na compra centralizada, que é o menor praticado entre os programas, a economia pode chegar a R$200 milhões por ano. Com esse recurso, o Ministério da Saúde conseguiria ampliar a oferta do medicamento sem alterar o orçamento destinado para a sua compra. O acesso ao produto seria facilitado já que todas as unidades da rede de saúde poderiam distribuir.

NEGOCIAÇÕES

Diante desse diagnóstico, o Ministério da Saúde iniciou uma rodada de negociações com a indústria farmacêutica e o setor de drogarias para ampliar o acesso aos medicamentos do Aqui tem Farmácia Popular. Uma nova reunião para discutir o cenário aconteceu dia 19, em Brasília.

30% MAIS CAROS

A pasta observou que, em média, os valores pagos pelos produtos de asma, hipertensão e diabetes dentro do Aqui Tem Farmácia Popular estão 30% acima dos praticados pelo mercado. A estimativa é que, quando adequados, seriam economizados R$ 750 milhões. Assim, o custo do programa passaria de R$ 2,6 bilhões para R$ 1,85 bilhão atendendo o mesmo número de brasileiros.

POR ORA, NADA MUDA

Neste momento, a oferta dos medicamentos do programa Aqui tem Farmácia Popular está mantida. O objetivo da negociação é dar maior eficiência a utilização dos recursos públicos e garantir que não haja ônus para o SUS, além de buscar ampliar a oferta de produto e serviços da rede de saúde. A decisão será tomada conjuntamente com o setor para a garantia da continuidade do Farmácia Popular em todo o país.

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