O jornalista Francisco Camargo, que é também o Pancho das tiras de quadrinhos, está de casa nova. É o mais novo colaborador do ‘Jornal do Juvevê’, um impresso editado pelo jornalista Bernardo Carlini que já ultrapassou os limites do bairro e agora, aos 11 anos de existência, planeja reformulações.
Pancho é parte do projeto que inclui também um novo site, ora em construção. A ideia de Carlini é que Pancho ilustre as capas da edição mensal impressa e, em breve, traga as tiras diárias de Rolmops e Catchup, as criaturas do cartunista, para a homepage.
Francisco Camargo, o Pancho, é jornalista de longa data. Foi editor do “Correio de Notícias”, da “Tribuna do Paraná”, em sua primeira dentição, e da “Gazeta do Povo”. Era na redação desta última que, ao fim do burburinho dos repórteres ele sacava de uma caneta bic preta e desenhava a tira diária.
TOQUE FILOSÓFICO
Havia algo de “Frank e Ernest”, personagens de Bob Thaves (1924-2006), nas piadas de “Rolmops e Catchup”. Com toques de irreverência e iconoclastia. Pancho dava a eles um toque filosófico, sem jamais escorregar no chulo ou no xucro contemporâneo.
Na redação, personificando o editor, Camargo falava pouco, quase nada, e escrevia muito, ainda que apenas com os dedos indicadores. Na reeleição de Beto Richa à prefeitura de Curitiba, em 2008, a tira de “Rolmops e Catchup” contrapunha ao “Fica!” do slogan da campanha do tucano o “Vai!” exibido por um personagem. Não que Pancho fosse ferrenho defensor ou opositor de quem quer que seja. Muito pelo contrário.
UMA CURTA SOBREVIDA
Pancho e Francisco Camargo (e vice-versa) ainda resistiria mais dois anos à “távola redonda”, que abrigava o núcleo editorial da Gazeta, antes de ser convidado a “encarar novos desafios profissionais”, uma outra maneira de dizer “está demitido”.
Pancho teria ainda uma sobrevida na Gazeta pelas mãos da diretora de redação Maria Sandra Gonçalves. Mas não por muito tempo. Com o fim da edição impressa, no primeiro semestre deste ano, o jornal entendeu que deveria extinguir os quadrinhos de suas páginas. Foi uma medida incompreensível até para aquele sisudo leitor que rejeita palavras cruzadas e abomina horóscopo. Foram-se as charges do Bennet, as tiras do Bennet e mais os rústicos e impagáveis flashes do cotidiano de Pancho.
O “Jornal do Juvevê” devolve agora às páginas dos jornais o “Rolmops e Catchup” como ele é. Desenhado com simples caneta preta e humor indissociável à realidade.
