Câmara Municipal, que desta vez não foi totalmente obediente ao alcaide,
deverá reexaminar a proposta de Greca no próximo dia 22.
Impossível não fazer analogia, entre a pretensão do prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo, de estabelecer penalidades para quem distribuir comida aos pobres sem o “´placet” da Prefeitura de Curitiba, e o que ocorreu recentemente na Turquia, com o padre siríaco ortodoxo de nome Sefer Bileçen (Padre Aho).
O sacerdote, uma alma generosa, sempre disposta a acolher os famintos, um dia abriu a porta de seu mosteiro Mor Japuk ( São Tiago), deu comida a pessoas que lhe pediram pão. Ato de pura caridade cristã. O Ministério Público da Turquia viu no ato de dar comida aos que têm fome – mandamento evangélico – um suposto gesto de acolhimento a membros de um grupo terrorista, o PKK.
Resultado, embora a pressão popular a favor do padre, ele foi condenado, na quarta-feira, 7, a dois anos de cadeia. Isso nos faz lembrar que no próximo dia 22 a Câmara de Curitiba deverá (vamos aguardar…) reexaminar o projeto de Greca que previa multa de até R$ 550,00 a organizações ou pessoas que distribuem comida aos sem teto.
“Ele, além de se arrogar o título de dono de Curitiba, agora queria criar o monopólio da caridade, com vistas, claro, de fortalecer seu projeto político para 2022”, disse à coluna o velho médico da Prefeitura, Doutor XY. Ainda dentro da analogia com Greca, é prudente lembrar que a Turquia está com um pé na ditadura…

COMIDA AOS FAMINTOS
Padre Sefer Bileçen, padre Aho no nome monástico, da Igreja Siríaca Ortodoxa, ofereceu comida a um grupo que bateu à porta do seu mosteiro. O Ministério Público turco disse que o grupo era do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e acusa-o de prestar auxílio a uma organização terrorista, como o Governo turco considera o PKK, que reivindica há décadas a independência do Curdistão.
Em tribunal, nesta quarta-feira, 7, o padre Bileçen foi condenado a dois anos de cadeia, mas protestou a sua inocência, dizendo que apenas teve um acto de caridade cristã e da hospitalidade monástica, depois de as pessoas terem batido à porta do mosteiro a pedir comida, como conta a Rádio Renascença.
Quatro dias depois do incidente, o padre Aho foi detido, mas libertado logo a seguir devido à pressão da opinião pública. O julgamento decorreu sem a sua presença e sem a presença de qualquer órgão da imprensa. O tribunal condenou-o a 25 meses de prisão por pertencer ao PKK – acusação que o padre nega, ainda mais não sendo curdo – e por auxílio a um grupo terrorista.
O mosteiro Mor Jakup (São Tiago, em siríaco) foi restaurado pelo próprio padre Aho, que o encontrou ao abandono, depois do genocídio a que foram sujeitos os cristãos da região – sobretudo armênios – em 1915.

