quarta-feira, 5 agosto, 2026
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Festival de Cinema Negro anuncia 5ª e última edição

Assessoria – O Griot – Festival de Cinema Negro Contemporâneo vai realizar sua quinta e última edição entre os dias 27 e 30 de agosto; e 1 e 2 setembro, em Curitiba. O evento gratuito encerra sua trajetória com uma programação que trará mostras inéditas, oficinas, mesas de conversa e sessões para adultos e crianças. Com o tema “O fim alimenta o começo“, a edição propõe uma reflexão sobre os caminhos percorridos pelo cinema negro brasileiro e os futuros que continuam sendo construídos por cineastas, artistas, pesquisadores e coletivos negros de todo o país.

Um dos destaques desta edição é a Mostra Panorama, dedicada à trajetória da cineasta baiana Juh Almeida, homenageada do Festival. Diretora, roteirista, artista visual e pesquisadora, Juh é autora dos curtas ‘Eu Negra’, ‘Irun Ori’ e ‘Náufraga’, além de ter integrado a equipe de direção da novela Vai na Fé (2023), da TV Globo, produção que levou à televisão aberta narrativas protagonizadas por personagens ligados às religiões de matriz africana. A mostra será acompanhada por uma masterclass, onde a cineasta vai compartilhar processos criativos, trajetória pessoal e experiência no audiovisual.

A programação também reúne atividades de formação gratuitas voltadas a estudantes e pessoas interessadas no setor audiovisual. Entre elas, estão a oficina “Como tirar sua ideia de mostra ou festival do papel”, ministrada por Layla Braz, e a oficina de Crítica Cinematográfica, com Tulio Rocha. O Laboratório Griot, que acontece nos dias 28 e 29 de agosto, é outra oportunidade oferecida pelo Festival, onde nove projetos de ficção escritos e protagonizados por pessoas negras receberão mentoria de profissionais do audiovisual.

O V Festival Griot conta ainda com as mostras Competitiva, que reúne curtas-metragens brasileiros realizados por cineastas negros ou protagonizados por narrativas negras contemporâneas; a Mostra Foco, dedicada a produção audiovisual de um país africano, que neste ano elegeu Cabo Verde para ocupar as telas; a Mostra Entremares, que propõe um encontro entre narrativas negras atravessadas pela diáspora com filmes de realizadoras e realizadores produzidos em territórios de diáspora como África, Caribe, América Latina, Europa e outros; e a Mostrinha Griot, voltada às famílias e ao público infantil.

As novidades desta quinta edição são a Mostra Paraná e a Mostra Horror. A primeira com curadoria do Cine Adélia, da Unespar, que pretende apresentar um panorama da produção audiovisual negra realizada no estado; e a segunda com curadoria de Nataly Maria, vai trazer ao Festival filmes que exploram o horror, o fantástico e o suspense a partir de perspectivas negras.

V Griot Criado em 2018 por Andrei Bueno Carvalho, Bea Gerolin e Kariny Martins, o Festival Griot nasceu para ocupar uma lacuna histórica na circulação do cinema realizado por pessoas negras, fortalecendo espaços de exibição, formação e debate. Para a cineasta Bea Gerolin, diretora artística e uma das fundadoras do Griot, a realização do Festival permitiu que pessoas negras pudessem, muitas vezes pela primeira vez, ocupar uma sala de cinema e se tornar o centro da narrativa.

“O Griot se consolidou como um espaço marcado por encontros, descobertas e transformações, onde filmes encontram espectadores, realizadores encontram interlocutores e projetos, que passam pelo Laboratório Griot, seguem seus caminhos no audiovisual brasileiro e internacional”, disse.

A quinta edição do Festival Griot marca o encerramento de um ciclo e reafirma o compromisso construído ao longo de sete anos com a formação de público, a circulação de obras e o fortalecimento de cineastas negros em diferentes regiões do país. Ao escolher o tema “O fim alimenta o começo”, o festival transforma a despedida em um convite para pensar o futuro do cinema negro brasileiro e os caminhos que seguirão sendo abertos pelas próximas gerações de realizadores.

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