terça-feira, 28 julho, 2026
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OPINIÃO DOS OUTROS: PANDEMIA 

Geroldo Augusto Hauer

Geroldo Augusto Hauer – outubro 2020

Voltávamos da temporada de verão na praia. Primeira semana de março de 2020. Brasil e Mundo tranquilos, vida normal, trabalho, progresso. Até mesmo a política sem efervescência.

Repentinamente uma tímida notícia de gripe nova, desconhecida quanto a origem, aparentemente sediada em países europeus. “Uma gripezinha” divulgou Bolsonaro na presidência do Brasil.

Segunda semana de março. Não só Europa, mas também continentes outros, sob o horrendo som de alarme ecoando nos canais de TV, nas estações de rádio, nas redes sociais, nas capas e páginas Ímpares dos jornais: uma epidemia de gripe com sérias consequências.

No fim de semana imediato, o alastramento da moléstia nova, com virulência voraz de contágio. Apareceram as primeiras máscaras não comas formas e cores do carnaval que acabou depois das cinzas; máscaras do desvio dos invisíveis vírus que sobrevoam a felicidade das alegres crianças, dos adultos perdedores de emprego com fechamento de bares, restaurantes, shopping. Máscaras de mulheres e homens ajoelhados rezando por graça de não estar na UTI de hospital de campanha.

Escolas, teatros, academias, museus, cinemas – onde está a validade para a qual foram criados? Caos mundial, a epidemia foi tragada pela PANDEMIA. E quem alcançará isenção pela mão do Senhor – agora muito mais lembrado por crentes e ateus – antes esquecido no decorrer do século que vai se tornando maldito!

Todos clamam pelo término do suplício mental renovado a cada despertar do dia, perdurando além das fímbrias da madrugada, na ineficácia do esconderijo ao contágio, construído apressadamente com a máscara, o distanciamento, a abstinência de transpor a porta do livre viver. Enquanto isso, somos coroados com os espinhos dos indesculpáveis desencontros de políticos, ávidos por protagonizar a distribuição da vacina ao Povo indefeso, como fossem caridosos a espargir migalhas de bondade.

GEROLDO AUGUSTO HAUER, advogado, curitibano que reflete o mais legítimo “curitibano da gema”. Foi secretário de Estado da Fazenda e personagem do livro “Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses”.

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