Adolf Hitler deve estar se mexendo em sua sepultura, em local desconhecido, onde repousam o que sobrou de seus restos mortais.

Por Antenor Demeterco Jr. (*)
Importantes figuras da República passaram a fazer comparações invocando seu nome, relacionando-o a situações e atitudes do nosso momento político. Estas figuras não sabem o que fazem, Hitler é juntamente com os comunistas Stalin e Mao Zetung, integrante da trilogia criminosa que intranquilizou o século XX. Suas sombras sombrearam milhões de cadáveres, seja por suas políticas internas, pela coautoria na deflagração da Segunda Guerra Mundial, grandes fomes (Ucrânia e China), expurgos, campos de extermínio, etc. O ministro Abraham Weintraub comparou uma operação da Polícia Federal tida como ilegal, por ser realizada em inquérito com fins discutíveis, com a famosa “Noite dos Cristais” (“Kristallnacht”).
UM HORROR
Este fato histórico horroroso, acontecido em 9/10 de novembro de 1938, foi a culminância dos maus instintos da turba nazista. Aproximadamente 91 judeus foram mortos e suas sinagogas incendiadas, tudo com omissão ou incentivo de forças oficiais para a ação do populacho. E, como se não bastasse, os próprios judeus pagaram pelos danos realizados em suas propriedades: multa de 90 milhões, mais 3 bilhões (12 bilhões de reais em 2006), tudo em libras. Weintraub com sua conversa imprópria foi repreendido com justiça, pela Confederação Israelita do Brasil, e pelo American Jewish Commettee.
INVEJA DOS JUDEUS
O primeiro-ministro britânico da época Neville Chamberlain, de triste memória, reconheceu em carta que a perseguição deflagrada teve dois objetivos: “o desejo de roubar aos judeus o seu dinheiro e a inveja da sua inteligência superior” (“in” “A Noite dos Cristais”, p. 231 de Martin Gilbert). Outro tropeço comparativo foi da lavra do magistrado Celso de Melo, que comparou a marcha dos acontecimentos em nossa paróquia com o que aconteceu na Alemanha de 1933. Hitler usou a democracia da República de Weimar, conseguiu o poder, e enterrou as liberdades democráticas. Valeu-se de um comunista imbecil que ateou fogo no Parlamento alemão. Tal fato foi a justificativa para obtenção de plenos poderes, e atingir posteriormente as monstruosidades que todos conhecemos.
LEVAR AO CAOS
Apontar o presidente Bolsonaro como tendo as mesmas intenções golpistas a la Hitler, ou seja, de levar-nos a uma ditadura, e cutucar militares em despachos, apenas contribui para nos levar ao caos que o Brasil não deseja. Julgadores devem ser cautelosos em qualificar pessoas investigadas sob sua atuação: sabem eles que por isso devem se afastar dos feitos que presidem. Magistrados não podem cultuar animosidades contra jurisdicionados sob pena de comprometer sua imparcialidade.
HISTÓRIA ENSINA
O estudo da História é fundamental para que fatos não se repitam ou sejam invocados farsescamente, como prelecionou um filósofo do século XIX cujas previsões deram com os burros na água. O Brasil vai precisar de uma intervenção militar, não para instalar uma ditadura como alertam alguns desavisados e desejam outros, mas para controlar nossas ruas. A desertificação econômica que nos foi imposta já gerou desemprego para milhões de cidadãos humildes. A criminalidade está em processo de centuplicação.

Curitiba, 1° de junho de 2020
(*) ANTENOR DEMETERCO JR, desembargador aposentado do TJPR, advogado, estudioso da História do Século 20.
