
Serve pelo menos duas coisas saber das conversas do ministro Moro. A primeira é que “luz sobre as trevas” ou “de Deus não se zomba” tem a ver com o Brasil. Em algum momento eu me senti desamparado e envergonhado – pela sensação de “merecer” a presidência de Bolsonaro.
ESTAVA ERRADO
Eu estava errado. Porque é da índole de Deus usar grandes homens. Bolsonaro “será molhado com o orvalho do céu e com os animais comerá a grama da terra. A mente humana lhe será tirada, e ele será como um animal, até que se passem sete tempos” (Daniel, 4. NVI).
CULPA PRESIDENCIAL
Se agora temos textos que elucidam nossas antigas convicções sobre a Lava Jato, é porque o presidente Bolsonaro provocou a “moralização do nosso país”. E colocou o jornalismo para fazer reportagens.
ALTO-FALANTE
A presença de Moro em um supermercado de Curitiba, à época de juiz, foi motivo para anúncio no alto-falante. Levaram a sério a “República” e a “morolização”. Por isso, muitos dos meus amigos tiveram vontade de morrer. Alguns, nem tão figurativamente falando, deprimiram-se.
Minha fé se fortalece quando Deus se ocupa dos ídolos. E a outra coisa. Apesar de Moro ter digitado “não me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão (sic)”, conversei com bolsonaristas para os quais a ética do ex-juiz não fez nenhuma falta. Aquela crença no escolhido.
(*) VINICIUS SGARBE, jornalista profissional, atua na Rádio Cidade de Curitiba como produtor, colabora com o jornal O Globo, atuou em Gazeta do Povo e Portal G-1
