quarta-feira, 1 julho, 2026
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OPINIÃO DE VALOR: Sistema de Transporte de Curitiba em números

O Biarticulado "Ligeirão" com 28 metros
O Biarticulado “Ligeirão” com 28 metros

Raul Guilherme Urban (*)

A mobilidade urbana está na moda. Deixar o carro em casa e sair para o trabalho de bicicleta, ou então usar o sistema de transporte coletivo, é, em princípio, o melhor caminho para quem quer preservar o meio ambiente, reduzir os índices de poluição. Em Curitiba, chegar mais rapidamente ao destino nem sempre é uma certeza, por conta dos engarrafamentos nas horas de pico, ou mesmo das condições precárias de alguns coletivos que teimam em circular com mais de dez anos de idade – conforme o previsto na lei. O quadro se repete em outras cidades, em maior ou menor escala, enquanto os ciclistas buscam espaço seguro nas ciclovias e ciclofaixas em maior parte voltadas ao lazer, não condizentes com trajetos prioritariamente voltados à circulação entre casa e trabalho.

1.226 ÔNIBUS DA FROTA

A Curitiba com seus cerca de 1,8 milhão de habitantes (3,2 mi, se considerada a capital e Região Metropolitana) diariamente utiliza os 1.226 ônibus da frota operante, que transporta, em números redondos, 1,4 milhão de pessoas. O número de usuários pagantes soma 630 mil, aproximadamente. A URBS, que gerencia o sistema de transporte, explica que passageiros transportados são todos os que passam pela catraca, independentemente de pagamento da tarifa, mais as integrações nos 21 terminais.

CARTÃO-TRANSPORTE

A maior parte desse contingente usa o cartão-transporte. Se em 2010 o índice era de 49%, e de 55,8% quatro anos após, em 2017, conforme o último levantamento, o cartão está no bolso de praticamente 61% de quem se locomove no sistema de transporte. Apesar da queda do número de usuários nos últimos anos, por conta da crise e das tarifas cada vez mais altas (hoje ela custa R$ 4,25), mesmo assim os números operacionais são significativos: ao todo, a cidade conta com são 6.500 pontos de embarque e desembarque, 321 estações-tubo, 251 linhas regulares atendidas pela frota de dez empresas reunidas em três consórcios, com os coletivos rodando algo em torno de 303 mil quilômetros por dia.

NA IDADE LIMITE

Parte da frota já alcançou a idade limite e gradativamente está sendo substituída, mas o usuário quer qualidade e prestação de bons serviços, uma vez que Curitiba, nos idos de 1970, serviu de exemplo para o país e o mundo ao implantar o Sistema de Ônibus Expresso e seus ônibus circulando em vias exclusivas – as canaletas que se tornaram ícone urbano num tempo em que nos grandes centros rodavam frotas envelhecidas em passo de tartaruga em meio ao trânsito caótico.

DEMANDA CRESCENTE

As cores vivas – vermelho, azul, alaranjado, amarelo, branco e cinza-prata – são a marca da frota curitibana de coletivos que chama a atenção de quem faz uso regular de um sistema que, em Curitiba, concorre com outros poucos modais. Ao contrário de centros como Rio e são Paulo, aqui não existem metrô, trens metropolitanos. Todos os deslocamentos são sobre pneus, mas o poder público precisa acompanhar as mudanças para atender as exigências da crescente mobilidade.

44 BIARTICULADOS

Implantados a partir de 1974, a partir do eixo Norte/Sul, nos hoje seis eixos exclusivos, com suas canaletas, rodam 44 ônibus biarticulados com 24,5m ou 28m – os Ligeirões -, que servem três linhas; outras seis linhas expressas são servidas por outros 127 carros – 97 biarticulados e 30 expressos articulados. Em 1979 criou-se o Corredor Boqueirão, onde os expressos começaram a rodar em 1992. O Expresso Circular Sul atende desde o ano 2000, quando também passou a operar o Expresso Leste/Oeste.

Mais adiante, em 2011, a Linha Verde acolheu os Ligeirões, originalmente pintados de azul para se diferenciarem dos expressos tradicionalmente com a cor vermelho Ferrari. Em 2018, com a entrada em operação de novos ligeirões, em especial na linha Santa Cândida/Praça do Japão, os veículos foram pintados também de vermelho.

O LIGEIRINHO

Canaletas à parte, a chegada dos chamados Ligeirinhos, servidos por ônibus pintados de cinza-prata e circulando pelo sistema viário normal, em 1991, permitiram ao usuário viagens diametrais, ou mesmo integrando Curitiba a municípios metropolitanos, mais rápidas. Hoje as linhas são 16, atendidas por 223 carros. Pagar uma tarifa permite ao usuário, se preciso e viável, utilizar mais de um ônibus e linha, o que caracteriza a integração físico-tarifária.

ESQUEÇA A CORRERIA

Correria à parte, por conta da metrópole agitada, a linha Circular Centro, que opera com micro-ônibus e percorre lentamente o entorno central, transporta o usuário a momentos lúdicos, permitindo-se a observar com cuidado e vagar a arquitetura urbana – com direito a passagens em movimentadas avenidas, no velho Setor Histórico, ruas arborizadas e em frente a tradicionais construções de uma Curitiba poética que dá lugar ao progresso.

(*) Raul Guilherme Urban é jornalista, pesquisador da memória histórica urbana, especializado em mobilidade urbana e autor do livro “História do Sistema de Transporte Coletivo de Curitiba”, lançado em 2004 pela Travessa dos Editores.

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