Que lástima. Estamos nós, brasileiros, entregues a um mísero ceticismo.
Chegamos ao ponto de ver políticos e megaempresários de alto coturno envolvidos em denúncias de, e tal nos conduz a duvidar das palavras do Betinho, de que só a participação cidadã é capaz de mudar o país. E a acreditar no que nos deixou dito o grande Rui, de que a chave misteriosa das desgraças que nos afligem é a ignorância popular, mãe da servilidade e da miséria. O voto, ah o voto.
Radicalizo e escrevo movido pelo espírito de insurreição o Dies Irae.

Esses saca-buchas da maledicência, políticos, megaempresários, miseráveis, trapaceiros, vigaristas e embusteiros dos mensalões, petrolões, dos escândalos nacionais, que tão tragicamente estão colorindo as páginas e espaços na mídia impressa e eletrônica, por possuírem ampla expertise sobre o mundo corporativo da corrupção, ah, eles não perdem por esperar.
São miseráveis insanos na verdadeira acepção da palavra. Homens e mulheres que atropelaram todos os dias as leis do país. “Homens (e mulheres) de cuja moralidade se zomba por toda parte, miseráveis buscados na ralé das ruas para se converterem em agentes da autoridade” (Rui Barbosa) e que, soberbos, se consideravam intocáveis, acima dos princípios, das instituições e, mais do que isso, acima da verdade.
Sobre eles pende – segura por um tênue fio de cabelo – a Espada de Dâmocles. Que ela lhes seja breve. Muito breve.
À espera do Dies Irae. Sou de opinião de que este poema, escrito no Século XIII pelo frade franciscano Tommaso de Celano, inspirado na Bíblia (Sofonias 1,15-16) tem algo a ver com o juiz Sérgio Moro. É, também, um dos hinos do Réquiem, de Mozart e de Verdi, e faz parte da liturgia católica do Dia de Todos os Santos. E cai como uma luva nas Operações do LavaJato.
(*) jornalista profissional, pesquisador da história do Saneamento no Paraná.

