quarta-feira, 13 maio, 2026
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Opinião de Valor: Hipermodernidade

Cel. Audilene Rosa de Paula Dias Rocha

Vivemos a era da hipermodernidade, em que tudo é potencializado ao seu máximo. A velocidade e o quantitativo de informação são absurdos. A vida está acelerada, muitas horas de trabalho, estudos, academia, lazer. As 24 horas são insuficientes para realizar todas as atividades. O mercado de trabalho está cada dia mais competitivo, exigente, restritivo, o que requer especialização e atualização contínuas.

Tudo induz o homem hipermoderno ao consumo desenfreado, insaciável e a constante busca por algo novo, mais moderno. Quanto a percepção do tempo, a prioridade é o aqui e agora. As redes sociais propiciam isso, as pessoas estão envoltas em um frenesi, gerou-se uma necessidade de se divulgar tudo o que faz, em tempo real, alguns expondo, inclusive, a própria privacidade, o que, às vezes, acarreta graves consequências. A hipermodernidade trouxe consigo o distanciamento entre as pessoas, não há interação interpessoal, porque mesmo quando estão reunidas, lado a lado, comunicam-se por meio do celular. O indivíduo hipermoderno quer estar cercado de pessoas, mas, contraditoriamente, quer viver sozinho. Posta tudo em redes sociais, porém, se isola na vida cotidiana.

O senso comunitário não é vivenciado, talvez até desconhecido por muitos. Testifica esse fato expressões como: “cada um com seu problema”, “cada um no seu quadrado”, “não é problema meu”, etc., pois, tudo o que interessa é o microuniverso do próprio indivíduo, poucos se preocupam e envolvem-se com os problemas da comunidade. Há uma busca exacerbada pelo prazer individual e, para supri-la, direciona-se todo o esforço para atender essa demanda, no presente. Tudo se torna provisório, as relações são fluídas, o individualismo e consumismo imperam na tentativa de se obter prazer.

Há um preço a ser pago pela hipermodernidade. Defrontamo-nos com a depressão, a chamada doença do século; com o estresse, abrangendo da criança ao idoso; com a solidão e o vazio existencial, em que se procura eliminá-la com uso de drogas lícitas ou ilícitas e adrenalina; esfacelamento das relações familiares e desrespeito aos direitos dos outros, afinal o “eu” é o que importa. O ser humano hipermoderno, mais do que nunca, necessita se reconciliar consigo mesmo, com o seu próximo e com Deus para abrir os olhos e enxergar as carências dos integrantes de sua comunidade e, em cooperação, mudar o estado das coisas.

Abraços a todos(as) e que Deus os(as) abençoe!

Coronel PM RR Audilene Rosa de Paula Dias Rocha

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