O genocídio configura-se pelo desvio de verbas da saúde, com brasileiros pobres morrendo nos corredores de hospitais, alunos caminhando quilômetros para assistirem aulas deficitárias, 50 mil cidadãos assassinados por ano, mandados

Por Antenor Demeterco Junior (*)
Não é usual que magistrados e promotores troquem ideias sobre processos em andamento, mas não é extraordinário que o façam.
Quando o indivíduo processado é figura de alto coturno faz-se necessária, muitas vezes, conversas esclarecedoras, para que não sejam tomadas iniciativas imprudentes destinadas a serem modificadas em revisões de instancias superiores.
Processados que são ex-presidentes da República, ex-presidentes do Congresso Nacional, ex-governadores de Estado seria pura leviandade o não esclarecimento prévio de dúvidas acaso existentes.
EXPOSTOS À IMPRENSA
Juízes e promotores são profissionais expostos à luminosidade da imprensa, e, consequentemente, ao ridículo se agirem precipitadamente.
No atual momento político jurídico nacional assistimos a um crime menor (a violação intencional do sigilo telefônico de partícipes da máquina judiciária e acusatória) com o fito de anarquizar a apuração de crimes maiores (a corrupção deslavada que assola o País).
Não há o que ser esclarecido com relação a gravações criminosas (a não ser descobrir seus autores) obtidas que foram para não punir crimes contra o Erário.
Há gente a serviço do macrocrime manipulando tecnologia de ponta.

COMO ERA ANTES
É de ser lembrado que, no tempo em que a ministra Ellen Gracie era presidente do Supremo Tribunal Federal, constatou-se (pelo menos na imprensa) que este nobre tribunal nunca condenara um político até determinada data.
Hoje, quando um juiz e um promotor, com a coragem que ninguém demonstrou anteriormente no País, dão os passos iniciais para a tramitação de processos que levam a prisão de delinquentes genocidas, são caçados com o esmiuçamentos de suas condutas.
UM GENOCÍDIO
O genocídio configura-se pelo desvio de verbas da saúde, com brasileiros pobres morrendo nos corredores de hospitais, alunos caminhando quilômetros para assistirem aulas deficitárias, 50 mil cidadãos assassinados por ano, mandados de prisão não cumpridos, etc..
GRANDE VÍTIMA
A grande vítima com a tentativa de desmoralização das ações anticorrupção é o próprio Poder Judiciário, acusado de parcialidades que não costuma praticar.
Em 44 anos de Magistratura, o autor destas linhas nunca teve notícia de condenações intencionais de inocentes.
Em cúpulas judiciárias que não prestigiam os soldados do front, tenho certeza que, nas horas do cafezinho, tiram-se dúvidas nas boas prosas, para que não se cometam disparates.
NO ARRAIAL DO CRIME
As alegrias manifestadas no arraial do crime e da impunidade pela exposição pública do delito menor (as gravações) tenho certeza, se esfumarão como as névoas da manhã, anunciando um dia de sol.
A verdade está em marcha permanente, nada a deterá, mesmo o desapoio punitivo martirizando quem cumpre com suas obrigações.
(*) ANTENOR DEMETERCO JR., desembargador aposentado do TJ-PR; especialista em história o Século 20

