A hipocrisia em análises políticas deveria ser expurgada da história de nosso país
Por Antenor Demeterco Junior (*)
Não é democrata (embora se diga como tal), e sincero consigo próprio, quem opta silenciosamente por ditadura ferrenha mais antiga e ataca os posteriores governos militares autoritários.
A proposta de retirada das fotos dos generais de 1964 de locais públicos soa ridícula quando não se menciona a exclusão das imagens, estátuas, fotos, nomes de ruas, do simpaticíssimo Getúlio Vargas.
Homem do jogo bruto da fronteira, onde se criou, instalou no país, via golpe, o Estado Novo (1937-1945) em 10 de novembro de 1937.
Fechou o Congresso Nacional, extinguiu partidos políticos, e instalou forte repressão policial com torturas e mortes.
FASCISMO MEIA SOLA
Adepto de um fascismo meia sola, manteve em seu governo Filinto Strubing Müller, chefe de polícia que mandava agentes fazerem cursos na Gestapo, e foi o patrono da arma da tortura no país.
Imortalizou-se ao fazer “política de esquerda com a mão direita”, no dizer do filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883-1955), e assim transformar-se em “pai dos pobres e mãe dos ricos”.
Bonzinho, introduziu leis trabalhistas importadas do fascismo italiano, das quais não conseguimos nos livrar de todo até hoje.
Quase criou arregimentação da juventude copiando a dos “balilas” de Mussolini (o projeto acabou engavetado).
Sua guarda pessoal foi selecionada entre indivíduos que se revelaram bandidos.
Comparando seu regime com os malfeitos dos generais presidentes, estes parecem meros escoteiros.
Deixou-nos como herança seu pupilo (de 1961-1964) João Goulart, admirador de Juan Perón, e presidente irresponsável que permitiu a subversão da hierarquia militar ativando fardados de baixa patente e abrindo, assim, as portas para o governo dos generais.
TRÊS PLANOS DESENVOLVIMENTISTAS
Três planos desenvolvimentistas, segundo os historiadores (estes sérios), levaram ao Brasil moderno: o de Getúlio, o dos militares, e o de Juscelino Kubitschek.
Este último inflacionou, desenvolveu, mas não puniu, não torturou e não censurou.
Vargas tem seus atos justificados ou descarregados sobre ombros alheios quando conveniente, pelo amor filial de sua filha Alzira do Amaral Peixoto em seu livro “Getúlio Vargas, Meu Pai”, hoje republicado.
A limpeza de nossa história pelo expurgo de fotografias não poderia ignorar uma notável galeria de personagens presidenciais, todas com indiciamento criminal: José Sarney, Collor, Lula, Dilma, e outras tantas figuras menores.
Curitiba 02 de setembro de 2017
(*) ANTENOR DEMETERCO JR., desembargador aposentado do TJPR; estudioso da história mundial do Século 20.
