terça-feira, 12 maio, 2026
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Opinião de Valor: Assédio Sexual

Cel. Audilene Rosa de Paula Dias Rocha

Nos últimos anos, a nossa sociedade foi privilegiada com avanços em muitas áreas, entretanto, algo não evoluiu, o preconceito, a discriminação, o desprezo e desrespeito em relação à mulher. Surpreendentemente, a mulher ainda é tratada, em muitas situações, como ser inferior, sem direitos e mero objeto sexual, apesar de a população brasileira ser composta por número superior de mulheres, 48,2% de homens e 51,8% de mulheres, segundo dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) 2019.

Pesquisa conduzida pelo Think Eva, via ‘internet’, divulgada pela FORBES em 7 de outubro de 2020, 50% das mulheres entrevistadas relataram ter sido vítimas de assédio sexual, 47% no ambiente laboral, não ficando isentas desse crime nem mesmo as que exercem cargos de gerência (60% assediadas sexualmente) e diretoria (55% foram vítimas de assédio sexual). Uma em cada seis mulheres vítimas de assédio sexual pede demissão, mas, infelizmente, isso não é tudo. Parte das mulheres que sofrem assédio sexual passa a sentir medo; desânimo e cansaço; diminuição da autoconfiança; sintomas de ansiedade e/ou depressão; afastamento dos colegas de trabalho; diminuição da autoestima. Apenas 5% procura o setor de recursos humanos da empresa para comunicar o fato, isso por a impunidade ser comum e produzir uma grande barreira para denunciar, além de outros fatores como o medo e a sensação de impotência.

O assédio sexual é uma violência e gera danos graves e, as vezes, irreversíveis à vítima e, em que pese as consequências, não houve mudança cultural nos ambientes de trabalho, continua, de certa forma, legitimado e acobertado, pois apoiam o agressor e denigrem a vítima na maioria das ocorrências, claro, quando há denúncia. O agressor sempre ganha e a vítima sofre diversas perdas.

A Constituição Federal, em seu artigo 5.º, prevê que todos são iguais perante a lei e no inciso I, do mesmo dispositivo, traz a previsão de que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”. Miseravelmente esse instituto ainda não é uma realidade para as mulheres no Brasil. Há muita luta para que a previsão constitucional se torne uma verdade para a população feminina, porém, estamos longe de alcançar essa conquista. A prova, dessa situação insana, são as inúmeras ações com demonstração cabal de assédio sexual em que os agressores são absolvidos. As vítimas, além de arcar com as sequelas da violência, são obrigadas a suportar o desgaste da exposição pública; de serem desacreditadas no processo e a humilhação de, apesar de serem vítimas. Essa cultura precisa ser modificada e os agressores, responsabilizados.

Abraços a todos(as) e que Deus os(as) abençoe!

Coronel Audilene.

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