Antenor Demeterco Junior (*)

A atriz Isabelle Drummond desempenha um papel social notável: alimenta diariamente 80 moradores de rua.
E costuma indagar a si própria “como posso transformar o mundo?” (este questionamento foi publicado na imprensa no corrente mês).
A mesma pergunta já foi objeto de análise através dos séculos por parte de líderes religiosos, filósofos e políticos com atuação histórica e uma resposta válida nunca foi encontrada, para infelicidade do Gênero Humano.
A transformação do ser humano parece ser impossível.
NOTÍCIAS DO ALÉM
Os crentes sempre se empenharam pela vida maravilhosa no além, compensatória das agruras terrenas, da qual ninguém mandou notícias confiáveis até hoje.
Os descrentes, alguns munidos de falsas leis que dão a História um trajeto linear do tipo ferrovia, apesar dos circuitos dialéticos impulsionadores, acredito que um dia no futuro a vida será maravilhosa aqui embaixo.
Para eles, em momento imemorial até a instituição Estado sumirá do mapa (é inacreditável que alguém acredite nisso).
GRANDE LEÃO XIII
O grande papa Leão XIII viu antecipadamente enganação no discurso de profetas sociais de seu tempo, com suas propostas ilusórias para redução da miséria.
Em sua encíclica “Rerum Novarum” de 15 de maio de 1891 foi incisivo: “Se há quem, atribuindo-se o poder de fazê-lo, prometa ao pobre uma vida isenta de sofrimentos e de trabalhos, toda de repouso e perpétuos gozos, certamente engana o povo…”.
Onde elites foram destruídas por revoluções sanguinolentas houve mera substituição das mesmas por outras.
NADA ALÉM DO SONHO
A sociedade sem classes nunca passou de um sonho de doidos.
Nomenclaturas predatórias pulularam, ou ainda pululam, em regimes coletivistas que ainda sobrevivem em alguns países.
Quando saem do palco da História deixam geralmente os seus países em piores condições das que os encontraram.
A América Latina tem exemplos comprobatórios dessa afirmação.
Cuba após 70 anos de revolução continua produzindo exclusivamente charutos e cana-de açúcar, sendo que ninguém emigra pra lá.
“PROLETÁRIOS”
O grito “Proletários de todos os países uni-vos”, perdeu força quando o operariado passou a concluir que só empregos e colocações trazem a razoabilidade para as suas árduas existências.
Tudo indica que estamos longe de conseguir a transformação do mundo, enquanto isso, multidões batem às portas dos países ricos do hemisfério norte em busca de sobrevivência.
PAÍSES RICOS
Os trágicos dias dos desfavorecidos possivelmente seriam piores se não existissem países ricos.
Não consta que partidos políticos que se intitulam a “vanguarda” dos interesses do operariado e da pobreza tenham recebido o beneplácito dos interessados para representar seus interesses.
O totalitarismo exultante do século XX com a pretensão de reformar o ser humano e o mundo, simplesmente criou rios de sangue.
SEM PROMESSAS
A atriz Isabelle Drummond deve continuar a mudar o mundo a seu modo auxiliando excluídos, fazendo assim sua parte pela melhora do ser humano, sem promessas vãs.
A transformação global do mundo continuará sendo o sonho irrealizável de crentes e descrentes por muitos séculos e séculos.
Mas nenhum sonho é proibido para os seres humanos.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR: advogado, desembargador aposentado do TJ-PR, especialista em História do Século 20.
