Jesús Colina (*)

Uma comunidade religiosa com uma história e um presente surpreendentes
1- Sendo uma Ordem militar, tem armas e soldados?
Hoje não tem exército, mas…
A Soberana Ordem Militar e Hospitalaria de São João de Jerusalém, de Rodas e de Malta – conhecida como Ordem de Malta –, é também a mais antiga Ordem de Cavalaria que ainda existe nos dias de hoje.
Nos primeiros tempos, a Ordem teve de se converter em militar para proteger os peregrinos e os doentes, e para defender os territórios cristãos na Terra Santa. Depois da perda de Malta (1798), a Ordem deixou de exercer essa função e hoje só mantém as tradições militares.
Tradicionalmente, os Cavaleiros da Ordem vinham de famílias nobres do mundo cristão. Hoje em dia, continua sendo uma Ordem de Cavalaria, porque manteve os valores da nobreza. Mesmo que a maioria de seus membros já não venha de antigas famílias nobres, são admitidos na Ordem por mérito e respeito à Igreja e à Ordem.

2- É um Estado?
Ainda que isso pareça incrível, sim, é.
A Ordem de Malta mantém relações diplomáticas com 107 países, nos cinco continentes. Seu grão-mestre é considerado pelos governos desses países como Chefe de Estado.
Tem o reconhecimento de observador permanente na ONU e perante 16 organizações internacionais, como a FAO e a UNESCO.
As relações diplomáticas permitem que a Ordem possa intervir com rapidez e eficácia em casos de desastres naturais ou conflitos bélicos. Devido a sua neutralidade, imparcialidade e caráter apolítico, a Ordem pode atuar como mediadora quando um país solicita sua ajuda para resolver uma disputa.

3- É uma ONG?
Sim, mas não só…
A Ordem de Malta trabalha em mais de 120 países no campo da assistência médica e social e de ajuda humanitária. Tem hospitais, centros médicos, ambulatórios, residências para idosos e pessoas com necessidades especiais, e centros para doentes terminais.
O Ordem tem ainda um ramo chamado Malteser Internacional, que atua perante catástrofes naturais e conflitos bélicos. Um Comitê Internacional da Ordem trabalha no tratamento da lepra, doença que segue atingindo diversas partes do mundo. Também atua em iniciativas de favor de mães e crianças vítimas de HIV em países pobres.
Na crise de imigrantes no Mediterrâneo, a Ordem resgatou e salvou 53.712 vidas humanas. Todo trabalho da Ordem se realiza sem distinção de raça, fé ou condição, seguindo o mandamento cristão de ver Cristo em toda pessoa que sofre.

4- É uma Ordem religiosa como os jesuítas ou os dominicanos?
Sim, mas…
A Ordem nasceu em Jerusalém ao redor de 1048 como uma comunidade monástica inspirada em São João Batista. Seu fundador foi o monge beneditino Gerardo, beatificado pela Igreja. Esta comunidade administrava uma hospedaria para cuidar e albergar os peregrinos em viagem à Terra Santa. Em 1113, foi reconhecida formalmente pela Igreja como Ordem religiosa.
Ainda que a Ordem de Malta não seja exclusivamente uma instituição religiosa – como os beneditinos, os jesuítas etc –, até antes da perda da ilha de Malta (1798), a maior parte dos seus membros era formada por religiosos que haviam professado os votos de pobreza, castidade e obediência.
Sem ser sacerdotes, hoje ainda alguns membros são “cavaleiros professos” que, através dos votos de castidade, pobreza e obediência, elegeram viver uma vida monástica. Outros cavaleiros e damas pronunciaram o voto de obediência.
No entanto, a maior parte dos 13.500 membros da Ordem (cavaleiros e damas) são leigos que estão dedicados ao exercício das virtudes e da caridade cristã.
A missão da Ordem está definida em seu lema “tuitio fidei et obsequium pauperum”, quer dizer, a defesa da fé e o serviço aos pobres e necessitados.

5- Sua sede está em Malta?
Não. Sua sede está em Roma
Depois da perda da ilha de Malta, a Ordem se estabeleceu em Roma. De fato, suas duas sedes em Roma não pertencem nem à Itália nem ao Vaticano. São extraterritoriais, formando um território soberano da Ordem.
Trata-se do Palácio Magistral, na famosa Via dei Condotti 68 – onde reside o grão-mestre e se reúnem os órgãos de governo – e a Villa Magistral, no monte Aventino.

6- Precisa de título de nobreza para entrar na Ordem?
Não. Mas alguns superiores possuem títulos de nobreza.
A única maneira de se tornar membro da Ordem é por convite. Só podem ser admitidas pessoas de moralidade reconhecida, católicos batizados, que vivam de forma cristã e que tenham realizado méritos relevantes para a Ordem e suas obras.
Por outro lado, qualquer pessoa pode se apresentar como voluntária para colaborar na obra humanitária, cultural e cristã da Ordem.
Porém, por sua tradição de nobreza, ainda hoje existem cargos de particular responsabilidade, como o de grão-mestre, que exigem que o candidato conte com títulos de nobreza.
7- A Ordem tem muito dinheiro?
Sua obra é financiada com doações e subsídios
Uma obra humanitária de tamanho porte consegue-se financiar principalmente através de seus membros e de doações privadas.
O financiamento de hospitais e atividades médicas varia em cada país, podendo haver convênios e parcerias com agências de saúde.
Nos países em desenvolvimento, as atividades frequentemente são financiadas mediante ajuda econômica concedida por governos, a Comissão Europeia e outras organizações internacionais. Outros fundos provêm de doações ou de ajudas de benfeitores.
8- Se é um Estado, tem moeda própria?
Sim. E são objeto de colecionadores.
A Ordem emite regularmente novas séries de moedas em seu próprio sistema monetário: 1 Escudo = 12 Tari = 240 Grani.
O câmbio em euros é: 1 Escudo = 0,24 Euro; e 1 Tari = 0,02 Euro;
A moeda é cunhada pela própria Ordem de Malta, que também emite selos, por sinal, muito buscados por colecionadores.


9- Existem outras ordens de Malta?
Quando assim se denominam, são falsas!
Segundo um comitê da Ordem, há no mundo mais de 30 organizações que tentam se passar falsamente por associadas à Ordem de Malta, tentando assim desfrutar de seu prestígio.
(*) Jesús Colina, em 16/05/2018, para Portal Aleteia (https://pt.aleteia.org/2018/05/16/9-perguntas-que-so-a-ordem-de-malta-pode-responder/)
