sexta-feira, 19 junho, 2026
HomeMemorialO polonês, com o negro, foi forte vítima de racismo

O polonês, com o negro, foi forte vítima de racismo

Ruy Christovão Wachowicz

Nunca mais esqueci uma lição que me deu e à minha turma de Jornalismo da UCP (depois, PUCPR), Ruy Christovão Wachowicz, um sábio historiador, sobre racismo no Paraná, final dos 1960. Ele aplicara uma pesquisa entre estudantes universitários –milhares de questionários – sobre o tema Racismo no Paraná. A intenção era identificar quão racista era o paranaense… O inquérito cotinha várias perguntas.

Jorge Samek

As respostas surpreenderam o mestre, filho de poloneses de Araucária (irmão de Rizio, ex-prefeito da cidader). Era filho de um filósofo, professor Romão. A avaliação final de Wachowicz foi que os paranaenses inquiridos mostraram, na maior parte das vezes, aversão – racismo puro – contra os poloneses e seus descendentes. Uma das respostas comuns da pesquisa: “Polaco é o negro virado do avesso”.

Paulo Leminski

Resposta que, de uma vez, mostrava também racismo estrutural contra os dois grupos étnicos. Essa “solidária” dupla, objeto de racismo, se explicava, na opinião de Ruy, pelo fato de as duas etnias terem as marcas da pobreza e da servidão; os poloneses vieram, quase sempre, como os negros, em porões de navios, e por muitos anos foram vistos como “cidadãos de segunda classe”.

Desembargador Brzezinski

FOI MUDANDO

Com o tempo, fui observando, como jornalista, que a presença de poloneses em posições de relevo no Estado estava contribuindo para, pelo menos, amainar a aversão aos poloneses. Como exemplo, cito, na magistratura, o desembargador Brzezinski, neto de poloneses; na política, parlamentares como Ladidslau Lachowski; nas artes e cultura, Paulo Leminski.

Valêncio Xavier

Outros notáveis filhos de poloneses foram se impondo na vida paranaense, como Valêncio Xavier (neto de poloneses), o jornalista Jaime Lechinski…Dom Ladislau Biernarski, que foi bispo auxiliar de Curitiba e primeiro bispo de São José dos Pinhais; o professor Saporkis, Rosa Saporkski, fundador de cursos na PUCPR; Jorge Samek.

Jaime Lechinski

Por dever de justiça, sou obrigado a reconhecer que os negros paranaenses não apareceram ainda de forma expressiva no mapa das personalidades do Estado. Até, registre-se: em cidades históricas como Lapa e Paranaguá, tradicionais famílias de origem negra trataram de “embranquecer”, na medida em que foram ampliando presença na sociedade abrangente, opina um professor da UFPR.

Dom Ladislau Biernaski

 

 

Leia Também

Leia Também