segunda-feira, 11 maio, 2026
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O CORPORATIVISMO SALVA, EIS A LIÇÃO

Aécio Neves: salvo pela corporação
Aécio Neves: salvo pela corporação

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi salvo pelos seus pares pelo placar de 46 votos a 24 – só precisava de maioria simples –, o que demonstra com clareza que só o corporativismo salva.

Então está combinado: Temer é vítima de complô, Aécio de armação e Lula de perseguição. O corporativismo parece tão arraigado que uniu até mesmo os polarizados PT e PSDB na defesa do parlamento contra a ingerência do Supremo Tribunal Federal, que determinou o afastamento e o recolhimento noturno do tucano.

FLECHAS DE BAMBU

As críticas ao STF choveram em flechas de bambu que nem mesmo o ex-procurador-geral Rodrigo Janot sabia dispor.

Na hora da verdade, 11 dos senadores arrumaram coisa melhor para fazer.

A combativa Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná, por exemplo, foi dar um giro na Rússia. Outros alegaram aquele tipo de mal súbito costumeiro em votações em que preferem “incluir-se fora dessa”, como diria uma velha raposa da política.

Restou o mais nobre dos sentimentos da classe política: a banana que se dá aos eleitores quando se trata de defender o empreguinho fácil e bem remunerado.

Gleisi Hoffmann e o ex-ministro Paulo Bernardo, domingo, 15, no Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia
Gleisi Hoffmann e o ex-ministro Paulo Bernardo, domingo, 15, no Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia

ELEIÇÃO PROTOCOLAR

Obviamente não se trata de uma exclusividade do Legislativo. Fosse assim seria mais fácil. O fato é que o corporativismo grassa pelo país de um modo que só se vê em republiquetas. Basta dar uma espiada no modo como são eleitos procuradores e presidentes de tribunais. Na base do corporativismo. O colegiado reúne-se, vota no candidato que se apresenta e pronto. É protocolar.

VÍCIO DOS PODERES

O mesmo ocorre no Ministério Público. Na eleição que apontou o sucessor de Janot foi o corporativismo que falou mais alto. Não o interesse da população. Estabeleceu-se uma lista tríplice entre os mais votados pelos membros do MPF e pronto. A casta elege os seus sem qualquer consulta mais ampla. É frontalmente antidemocrático e reforça o vício dos poderes.

COM FARINHA

Se alguém quer ver um delegado ou promotor público ser eleito pela comunidade, vai precisar viajar aos Estados Unidos onde há eleição para quase tudo. Sim, nesse caso o corporativismo dá lugar ao sufragismo.

Bom, tem gente que diz que votar não é bom. Então é melhor engolir com farinha?

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