segunda-feira, 11 maio, 2026
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O CONTO DO ‘TRABALHO ESCRAVO’ NÃO PASSA DISSO MESMO. É UM CONTO

Trabalho escravo?
Trabalho escravo?

Segue aqui alguma razoabilidade no que vai por aí em forma de ‘fake news’ ou – sejamos benevolentes – má interpretação de largos setores da mídia: não há a intenção do governo Michel Temer de publicar portaria autorizando o trabalho escravo no país. O que há, e isso ficou demonstrado em matéria da Folha de S. Paulo’, é o propósito da lei em não deixar a cargo de fiscais a interpretação sobre o que é ou não é ‘trabalho escravo’. Não se engane o leitor. São egressos da mesma escola daqueles que, há poucos meses, saíram por aí tachando de podre a carne dos frigoríficos por todo o país (com o aval da Polícia Federal).

EMBRULHO DE PEIXE

São tantos os escândalos e tamanha a impopularidade de Temer que qualquer denúncia que lhe pese sobre os ombros é compartilhada como verdade e vendida no mesmo papel que embrulha o peixe – agora cada vez mais raro.

PIADA DO DIA

Os que saem em sua defesa ajudam a enterrá-lo ainda mais. Caso do ministro Gilmar Mendes, que se apressou a dizer que, aos olhos dos fiscais, o expediente que dá no STF e no Tribunal Superior Eleitoral também poderia constituir-se estafante e, por isso mesmo, indigno e escravizante. Fica para o piadístico.

LONGOS 14 ANOS

No site de “Veja”, o jornalista José Roberto Guzzo, lembra que um projeto de lei sobre o trabalho escravo tramitou por 14 anos no Senado Federal até que um dispositivo de vários itens fosse aprovado. Durante esse mesmo período o governo do PT sequer deu pelota para a matéria. Empurrou-o com a barriga sem cerimônia. A grita agora vem exatamente da ala apeada da política, sem considerar que, como descreve a reportagem da Folha, há fiscais por aí carimbando como trabalho escravo até o motorista de caminhão de mineradora que garante uma melhor renda fazendo horas extras. Ora, ora.

AH, OS ARTISTAS

É nesse momento, e não dantes (não há 14 anos), que a classe artística, que nunca reclamou do trabalho escravo quando a Lei Rouanet pingava farta, se digna a entupir as redes sociais com vídeos de protesto. Ora, ora.

CONDIÇÕES VIS

Há pesos e medidas. Diz Guzzo: “O Congresso Nacional debateu uma lei destinada a tornar mais rigorosa a repressão às práticas que obrigam as pessoas a trabalharem em condições vis – tão ruins que reduzem seus trabalhadores a condições equivalentes ou comparáveis às de um escravo.

E OS DESEMPREGADOS?

Não é o caso dos motoristas de caminhão da mineradora. E não será o caso daqueles 14 milhões de desempregados que esperam uma chance de retornar ao mercado de trabalho. Aliás, onde está a grita por esses desempregados?

IRMÃOS CORAGEM

De novo vale replicar Guzzo: “Mas vivemos num ambiente onde está terminantemente proibido raciocinar ou lidar com fatos. O “Brasil Para Todos” ficou catorze anos dormindo em cima do trabalho escravo. De repente, a questão se torna gravíssima, tudo vira urgência urgentíssima e todo mundo vai para casa orgulhoso de sua coragem na luta contra a escravidão neste país”.

Com a impopularidade no fundo do poço, Temer enfrenta agora um injusto ataque acerca do trabalho escravo. O ministro do STF, Gilmar Mendes, ajudou a piorar.
Com a impopularidade no fundo do poço, Temer enfrenta agora um injusto ataque acerca do trabalho escravo. O ministro do STF, Gilmar Mendes, ajudou a piorar.
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