domingo, 10 maio, 2026
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O “BARBA” REVISITADO, EM NOITE DE MESURAS

Governador Beto Richa e Fábio (foto: Orlando Kissner)
Governador Beto Richa e Fábio (foto: Orlando Kissner)
Vice-governadora Cida Borghetti e o poeta Campana (foto: Jonas Pinheiro)
Vice-governadora Cida Borghetti e o poeta Campana (foto: Jonas Pinheiro)

Fabio Campana, 70, entrou quase pontualmente ao Dizzy Café Concerto. Era pouco mais das 19 horas do dia 5.

Fila de amigos e de antigos leitores já se formava. O espaço, recendendo a jazz, compunha à perfeição com o pessoal em busca de autógrafo e do simples afago do “Barba”. É carinho que amigos e ele se sabem dividir sob o signo da fidelidade, tal como observo ali mesmo, ao divisar Márcio Renato dos Santos, o contista, com seu filho, Victor,8, e mais tarde com iluminado Jaime Lerner, tendo Carlos Deiró a escoltá-lo.

E como não registrar o abraço do governador Beto Richa e Fernanda, e da vice-governadora Cida Borghetti e Maria Victoria?

EDUARDO PIMENTEL

Não posso esquecer da presença contagiante que se firma no rol dos próximos do “Barba”, o vice-prefeito Eduardo Pimentel. Solicitadíssimo, atencioso, Pimentel concedeu-me bom tempo de prosa, em que conversamos sobre o papel de Fábio Campana na vida cultural do Paraná. E também sobre Paulo Pimentel, avô de Eduardo, personagem que incrementou nossa conversa a partir de citação à entrevista que o ex-governador me concedeu ao meu projeto “Encontros do Araguaia”.

TRIBUTO BEIJA-MÃOS

A noite de autógrafos pode ser lida igualmente como um tributo-beija-mãos ao jornalista, ao contista, ao poeta, ao romancista e, também, a um cortante antropólogo social e especialista no Paraná dos dias de hoje.

E de tributo, igualmente, a uma das línguas mais afiadas – e ferinas, conforme o desafeto que fica na arena – que já conheci no Paraná. Mas que sabidamente poupa amigos, a muitos dos quais até vota veneração.

HIPERBÓLICO

Estou sendo hiperbólico?

Pode ser. Mas para compensar lembro que gente de talento, como Fábio Campana, tem também um “curripel” de desafetos. O talento e a capacidade crítica – e tomada de posições – não geram só cortejos de amigos. A fila dos contenciosos que deve rondar Campana é provavelmente grande.

Quando cito beija-mãos, não identifico vassalos, mas amigos e admiradores que tiraram a noite de 5 de setembro de 2017 para dizer o quanto valorizam a vida e obra de Campana.

“O DOCE PÁSSARO”

O clima do cenário do Dizzy casou, sem reparos, com o poeta, seu tipo, sua história, com a amarga-doce poética do livro que, em seguida, eu folharia (presente de Cida e Maria Victoria).

Posso dizer que Campana chegou imponente, de paletó, chapéu Panamá, ar senhorial a me lembrar um daqueles donos do Sul profundo, Missouri, Mississipi e adjacências, do “Sweet Bird of Youth”, o que me trouxe à lembrança a fita de Robert Redford e o texto de Tennessee Williams.

Momento ímpar.

CONTA GOTAS

O sorriso contido continua sendo gratificação distribuída com parcimônia mesmo aos que privam de seu universo imediato. Um deles, o fotógrafo intelectual Dico Kramer, que foi dos primeiros que encontrei; Cassiana Lacerda, mestra insuperável na análise de ciclos econômicos do Paraná, assim como da nossa literatura paranaense, entrou na fila; Jaime Lechinski e Leila Pugnaloni, Ricardo Caldas, Mário Celso Petraglia, Márcia Tocafondo e o noivo, Tina Camargo, Otávio Duarte, deputado Ney Leprevost, Marcos Cordiolle, Antonio Cescatto, Valéria Prochmann, Felipe Krymnice, Mariana Camargo, Adriana Sydor, Dédalo Neves, muitos jovens e outros tantos notáveis que não registro porque saí cedo da noite memorável.

 – ESTILO E O HOMEM

“O Ventre o Vaso o Claustro” é livro que pretendo não só “consumir”. Quero nele e com ele partilhar de uma poética única, que passa pela vida, amores, afetos, desafetos, presente, passado, futuro. Coisas de que nos ocupamos todos seres humanos.

Aposto que será mais aula de síntese de sentimentos; uma imperdível lição de como bem escrever bem com e para o espírito.

Sobretudo, sei que o livro é lição de estilo. Portanto, fiquem atentos os que não conhecem Campana, pois – lembrando Buffon – recordo que o estilo é o homem.

Fábio Campana e Aroldo (foto: Marcelo Elias)
Fábio Campana e Aroldo (foto: Marcelo Elias)
Maria Victoria, Aroldo e Cida Borghetti (foto: Jonas Pinheiro)
Maria Victoria, Aroldo e Cida Borghetti (foto: Jonas Pinheiro)
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