segunda-feira, 10 agosto, 2026
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Nem a Prefeitura nem a Câmara querem discutir a LGBTfobia

Vereadora Carol Dartora

Proposta da vereadora Carol Dartora para discussão de políticas públicas para o universo LGBT+ foi arquivada na Câmara, hoje, 3, em obediência – é o que se deduz – a ordens do alcaide

 

Nessa segunda-feira, 3, foi arquivada na Câmara Municipal de Curitiba uma proposta da Comissão de Direitos Humanos para se criar um dia de discussão de políticas públicas para a população LGBT+. O pedido, feito pela vereadora Carol Dartora, daria visibilidade a um tema que parece amedrontar o prefeito Rafael Greca desde o início do primeiro mandato.

Em seu pedido, a vereadora quis dar mais visibilidade ao Dia Internacional de Combate à LGBTfobia. A data marca a luta da comunidade composta por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros, transexuais e intersexos pelo direito à vida, à educação, ao trabalho, à saúde. No entanto, houve mobilização na prefeitura pelo seu arquivamento. O tema não agrada ao prefeito.

Dizem fontes de dona Matilde, que ele chega a argumentar sobre o assunto dizendo: “Tenho até uma pessoa no primeiro escalão que é LGBT+” – como quem lava as mãos. Acabou com secretarias. Quando assumiu, na gestão anterior, o prefeito acabou com as secretarias criadas para as minorias, que viraram assessorias. A Assessoria Diversidade Sexual não é sequer mais vinculada ao gabinete do prefeito.

E até foi subordinada à Secretaria Municipal de Saúde, tratando o tema como um problema de Saúde. Curitiba perde para outras capitais brasileiras, como Fortaleza, São Paulo e Rio de janeiro. Essas cidades destinaram secretarias estruturadas para enfrentar o preconceito e a discriminação.

O estranho é que Curitiba tenha mesmo vinculado a questão LGBT+ à Secretaria de Saúde, pois a OMS há anos deixou de considerar a chamada “opção sexual” como doença. Nem se admite, nem de longe, em meios científicos sérios, falar em “cura gay”.

Grupo Dignidade

EXPLIQUE SUAS RAZÕES

Não se sabe quais são as razões pessoais de Rafael Greca em não querer discutir este tema tão importante para a comunidade curitibana. Importância que pesquisa da USP estimou que a população LGBT+ represente 10% da população da cidade. O mesmo percentual, admite fonte do Dignidade, pode ser admitido em Curitiba. Da forma como se coloca, Greca ignora esses curitibanos LGBT+, mesmo quando a violência e o maltrato só aumentam.

De acordo com pesquisa do Grupo de Gay da Bahia, o Paraná é o 5º estado que mais agride e mata membros dessas comunidades, como o caso do ativista Lindolfo Komaski assassinato e queimado recentemente em São João do Triunfo. Curitiba concentra a maioria dos casos de assassinatos.

FALTA DE APOIO

Levantamento do Grupo Dignidade aponta que o percentual 84,4% dessa população foi agredido ou passou por atos violentos e 54% já pensou no suicídio, por falta de suporte da sociedade, em especial do poder público.  “A falta de política para acolher essa população é fruto da falta de interesse do prefeito em falar sobre o tema da sexualidade, do gênero e da diversidade. Na pasta da Diversidade, passaram bons profissionais, como o ativista Allan Johan, que entendia do tema, mas não teve apoio da gestão do atual alcaide”, lembra ao site um membro do Grupo Dignidade.

CASO DO BIG BROTHER

“Enquanto isto, mortes, ameaças, atos violentos, falta de emprego e oportunidade, apoio institucional (inexistente) são o que 200 mil moradores de Curitiba recebem”, observa um antigo assessor de Greca de Macedo. Chega ser irônico que o arquivamento da proposta da vereadora Carol Dartora aconteça no dia que se dá destaque ao candidato do BBB 21, Gil do Vigor.

Gay pobre do interior do Brasil e um mórmon devoto, Gil escancarou na cara do Brasil a força do preconceito com relação à população LGBT+. Também mostrou como o apoio que recebeu permitiu-lhe se assumir gay e enfrentar um mundo não interessado em derrotar preconceitos, universo em que se encaixam pessoas como o prefeito Rafael Greca.

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