
Sim, é preciso muita calma nessa hora. E muita razão. No momento em que Michel Temer vê nove de seus ministros enredados em inquéritos da Lava-Jato, vale lembrar que a “mágica econômica” que todos esperavam, e veio em parte, não será só uma questão de abracadabra. É preciso também lisura moral. Um dos mais embaraçados, Moreira Franco, o “angorá”, já havia, com certa antecedência, e mais pompa do que circunstância, afirmado que os três desafios do governo de Temer era, pela ordem, economia, economia e economia.
Nenhum reparo. Salvo em países onde a democracia é só a piada de um grego qualquer, é o sucesso econômico que garante o prestígio de um governo. Parem com essa história de ideologia. Se a economia vai mal, adeus minha santa. Lula surfou nos bons resultados da economia interna e, principalmente, externa para garantir dois mandatos. E tinha um mensalão no meio do caminho.
E há uma capa célebre da “Time”, que destacava a aprovação estratosférica do então presidente Bill Clinton, com o título: “É a economia, estúpido!” E é mesmo.
RESPEITABILIDADE
Por isso não adianta muito acender vela para São Michel Temer. Ele pode animar o mercado, provocar a queda do dólar, devolver algum estimulo às montadoras, mas só vai devolver a economia aos eixos se atrair investidores externos e devolver um naco de respeitabilidade à política.
É um trabalho e tanto e deve exigir mais do que otimismo. Lembremos: no prazo de menos de seis meses, as principais agências de classificação de risco do mundo rebaixaram o Brasil ao grau especulativo, o que significa captar recursos de investidores estrangeiros a juros que causariam inveja a Shylock, o usurário do Mercador de Veneza.
SÓ CORAGEM
Que venha a economia e as reformadas nela ancoradas. Mas que venha também a dignidade política e o fim da impunidade de roldão. Não é preciso acender vela para o santo. Um pouco de coragem bastaria a Temer.
