Frederick Wassef, antigo advogado de Flávio Bolsonaro, recebeu 9 milhões de reais da JBS, o frigorífico dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Os registros dos pagamentos constam de documentos obtidos pelos promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro que investigam a relação de Wassef com Fabrício Queiroz , ex-assessor de Flávio Bolsonaro e amigo do presidente da República. As informações chegaram para os promotores na esteira da mesma investigação que levou ao paradeiro de Queiroz – o ex-assessor de Flávio Bolsonaro estava escondido em uma casa de Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo. Ao obter dados sobre as transações financeiras do advogado, por meio de um relatório do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, veio a surpresa: os investigadores descobriram os milionários pagamentos da JBS, distribuídos entre os anos de 2015 e 2020.

WASSEF FOI À PGR PARA TRATAR SOBRE JBS
Sem procuração, o advogado Frederick Wassef visitou a Procuradoria-Geral da República no fim do ano
passado para tratar de assuntos de interesse da JBS. Um dado torna o episódio ainda mais interessante: a visita, informal, foi intermediada pelo gabinete do próprio PGR, Augusto Aras, com quem Wassef havia se reunido tempos antes. Ante o caráter atípico da situação, a visita acabou em constrangimento: indagado pelos procuradores que o receberam se tinha em mãos uma procuração que o autorizasse a falar em nome da companhia, Wassef disse que não, e a reunião foi prontamente encerrada. Crusoé confirmou o encontro com fontes primárias que lidaram diretamente com o assunto.
FLÁVIO NÃO QUER ACAREAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro, do Republicanos, não participará da acareação com o empresário Paulo
Marinho marcada pelo Ministério Público Federal para 21 de setembro. O procedimento estava previsto no âmbito da apuração sobre o suposto vazamento de informações sigilosas sobre a Furna da Onça, deflagrada em 2018. O empresário, que à época da campanha era aliado da família Bolsonaro, afirma que Flávio foi avisado com antecedência, por um delegado da Polícia Federal, sobre a operação que revelou as
movimentações suspeitas nas contas de Fabrício Queiroz. O filho 01 de Jair Bolsonaro nega. O MPF optou pela acareação para colocar Flávio e Marinho frente a frente, a fim de confrontar as versões prestadas em
depoimento pelos dois. Advogados do parlamentar, Luciana Pires e Rodrigo Rocca afirmaram que ele não terá disponibilidade em 21 de setembro.

A LICENÇA DO DECANO
O ministro Celso de Mello vai tirar licença do Supremo Tribunal Federal para tratamento de saúde por um prazo indeterminado. A ausência do decano pode interferir em casos sensíveis na corte. Um deles é o pedido de suspeição apresentado pelo ex-presidente Lula contra o ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro. O processo será analisado pela Segunda Turma do STF, colegiado do qual Celso de Mello faz parte, ainda em data indefinida.
