
Um especialista em temas de Demônio, e assuntos correlatos, JMC me corrige, quando menciono que “o Demônio virou produto de corriqueiro consumo na sociedade do século 21”. Para ele, a afirmação pode até fazer sentido. Isso se considerarmos “a infinidade” de manifestações supostamente do Belzebu em milhares de igrejas pentecostais e neopentecostais mundo a fora.
DEMÔNIO DIFÍCIL
E também observa JMC: no universo da Igreja Católica, no entanto, o Diabo nunca foi um ente “fácil de manobrar”. Lembra que, especialmente depois do Concílio Vaticano II, a Igreja racionou os relacionamentos de seus padres e bispos com o mundo de Satanás, a ponto de, praticamente, cada diocese católica só ter um ou dois exorcistas. Eles é que têm autorização para os chamados exorcismos, tema que hoje a Igreja trata com extremo cuidado, procurando esgotar todas as alternativas médico-científicas antes de pronunciar o “vade retro”.

FREI MIGUEL
Tanta cautela não impediu que nos últimos dez anos a Congregação dos Legionários de Cristo (LC) anunciasse e desenvolvesse amplo programa de formação de exorcistas a partir de cursos em Roma. Abertos, naturalmente, a padres e bispos.
As aulas continuam, com salas cheias de alunos em Roma.
Em Curitiba quem ganhou fama de exorcista foi frei Miguel de Botacin, o místico que se tornou conhecido e acatado a partir da Vila Nossa Senhora da Luz.
O capuchinho nunca confirmou essa ‘especialidade’. Mas também não a desmentiu.
A mim, certa vez, nos anos 1990, frei confessou ter se deparado ‘apenas algumas vezes’, em sua vida de religioso, com casos “inequívocos de possessão demoníaca”. E em alguns dele teria trabalhado.
