
Denúncias se sucedem sobre liberações irregulares de áreas de preservação ambiental. Quem são esses “desenvolvimentistas”?
O litoral do Paraná não é nenhum exemplo de boa qualificação no IDH – o Índice de Desenvolvimento Humano. Pelo contrário, lá o que se vê é uma enorme população carente, com necessidades a desafiar soluções do poder público.
No entanto, lá cresce o quase total total descompromisso com o futuro, a partir de lideranças que vão conseguindo, por exemplo, licenças fraudulentas para atropelar o meio ambiente.
O Litoral é região de uma grande extensão de Mata Atlântica ainda preservada. Muita gente não se dá conta da importância fundamental da preservação da mata. Acabar com ela é preparar tragédias ambientais inevitáveis. Daí a luta de entidades ambientalistas para preservação dessa região. E luta também de membros do Ministério Público do Paraná (MPP). Qualquer procura às ações do MP no Litoral mostra farta ação do MP…
Do lado chamado “desenvolvimentista”, há fortes interesses econômicos. Por exemplo, de empresários do setor portuário. A pretexto de geração de empregos e riqueza, a grande verdade é que os projetos existentes são moldados para enriquecer (muito, muitíssimo) alguns poucos à custa de uma destruição irreversível, como observa o engenheiro ambiental que, pedindo anonimato, subsidiou a coluna sobre essa realidade. A fonte lembra que “há dados que indicam, por exemplo, que o desejado novo porto em Pontal provavelmente acabará com a Ilha do Mel.” E ainda lembra a fonte:
“Os projetos quase sempre são levados adiante a partir de autorizações obtidas criminosamente, mediante pagamento de propinas. São incontáveis os casos em que projetos no Litoral foram realizados contrariando a legislação ambiental vigente, graças a autorizações forjadas a partir da corrupção de agentes públicos”.
LUTANDO O BOM COMBATE
A bem da verdade, há que considerar: algumas pessoas dentro do Ministério Público do Estado do Paraná vêm lutando bravamente para investigar, expor, punir e anular essas autorizações irregulares e os projetos ilegais. E têm vigiado para que não surjam novos projetos danosos – “o que pode se dar, por exemplo, com a construção do novo porto em Pontal, com a ponte de Guaratuba, com a ‘revitalização’ da praia de Matinhos”, como registra um promotor aposentado MPPR.
Esses quadros do MPP (heroicos) têm sofrido muitos ataques, inclusive da tribuna, por deputados (e não raro com ofensas pessoais). Apenas porque fazem seu incessante trabalho de tentar garantir que a lei seja
cumprida, nada mais que isso.

PREÇO MUITO ALTO
Estamos vendo cotidianamente o altíssimo preço que se paga com o desprezo à preservação ambiental (observe-se o caso recente de Petrópolis, entre tantos outros). “Mas para aqueles cuja ganância é cega, que só querem lucrar e ganhar mais e mais, isso não interessa. A vida alheia não vale nada, o importante é encher as próprias burras”, diz ainda o citado promotor aposentado.
Essa triste realidade envolve grandes grupos políticos e financiamentos de campanhas em troca de “ajuda”.
Por isso, todo apoio aos que no MPP lutam pela defesa ambiental. Quem tem compromisso com o hoje e o futuro do Paraná, tem que se opor à destruição anunciada.
A situação resumida por ONGS ouvidas é esta:
“A corrida em busca de possibilidades de lucro com a destruição (a pretexto de um “desenvolvimento”) é uma grande mentira. Pois essa corrida, ao fim e ao cabo, enriquece doidamente alguns, melhora algum
tanto a vida de outros menos, mas deixará a grande maioria na mesma miséria de antes, com o agravamento das crises ambientais.
