
A morte de Leonor Demeterco de Oliveira, 80, levou uma das mais importantes personagens de um tempo de “descoberta do social” pela Igreja Católica em Curitiba, pois ela pertenceu à militância da Juventude Universitária Católica (JUC). Era tempos “gloriosos” da Ação Católica.
A JUC, ainda antes do Concílio Vaticano II, prenunciou a opção da Igreja por um olhar “mais profundo sobre as injustiças sociais”, como ela mesma me disse quando a entrevistei para meu livro “Vozes do Paraná – Retratos de Paranaenses”, do qual foi personagem.
Impossível dissociar o nome de Leonor de seu marido (in memoriam), professor José Lamartine Correia de Oliveira Lira. Os dois se conheceram e se enamoraram durante um congresso nacional da JUC. Tiveram 3 filhos.
Leonor, há anos cadeirante, como resultado de acidente de automóvel, tinha uma vida intelectual e espiritual muito rica. Escrevia poesias, por vezes poderia dar depoimento sobre a Curitiba de sua mocidade, filha que foi de um pai comerciante de grande porte, criador da cadeia de mercado Demeterco. Ela foi legítima representante de uma parte “nobre” da velha Curitiba, com origem alemã e italiana.
Embora muito limitada em seus movimentos, Leonor fazia questão de cumprir agendas de estudos, como, por exemplo, com o padre francês Jomar, ou participar de grupo de meditação cristã iniciado por madre Belém. Esse grupo reunia mulheres de alto nível cultural, como Eleidi Freire-Maia, Martha Reichmann e Yara Martins de Oliveira, dentre outras.
