
No final da tarde desta quinta-feira, 27, não me poderia ser pior a notícia: “Morreu o João José”, avisava o jornalista Bernardo Bittencourt, um forte elo entre gerações da comunicação social em Curitiba.
Claro que me choquei com a notícia, a perda de um amigo como ele (foi meu afilhado de casamento), sou padrinho de seu filho. Era internado com tanta frequência que até não mais assustava seu universo enorme de amizades.
Era como se cada amigo encarasse o fato como “mais uma ida do JJ, logo ele volta”.
Nesse entra e saí de hospitais, cirurgias e procedimentos médicos os mais variados possíveis, sempre, ao lado dele, estava aquela guardiã da família, o amor maior de JJ, a companheira Eliane.
Alta, bonita, olhos de brilho profundo, herdados de sua mãe, dona Gia, Eliane é a serenidade feito gente. Sempre foi assim, uma alma pacifica, em plena harmonia com a Terra e sua gente.
O amor dela por JJ foi uma aposta que se consumou desde uns quarenta e tantos anos quando JJ chegou no jornal Voz do Paraná, e me disse, firmemente: “Achei a mulher de minha vida, guru”.
Ele me chamava de guru, achava que tinha tonalidades magisteriais, desde que descobri a ele e a Maí Nascimento Mendonça para o universo do jornalismo, testando-os numa prova escrita visando a descobrir quadros para atuar em jornais. Isso no começo dos 1970.
A morte de JJ é muito maior que a minha tristeza por não mais contar, neste mundo dos viventes, com alguém como ele.
Com Eliane, João Bruno e Valéria – mulher e filhos -, sei que a cidade vai sentir falta dele. Ele fará falta à Curitiba, de quem era amante fiel e empedernido, e a quem conhecia em suas minúcias, em seus pecados, em suas virtudes.
JJ amava Curitiba com aquela fidelidade dos polacos – semper fidelis -, traço de uma família polonesa montado por Onha e dona Janina, gente muito especial, ela mulher culta, aportada em Curitiba ao fim da II Guerra, trazendo da Europa as marcas das dores provocadas pelo nazismo.
Não entendo de futebol, não torço por time nenhum. Até por isso posso avaliar a “patologia atleticana” que identificava JJ.
O Atlético Paranaense era uma espécie de segunda natureza sua, fazia parte insubstituível de seu ofício das horas. E rezava tal ofício não com parcimônia, ele que era apenas deísta, sem religião. Mas que acreditava piamente, Nosso Senhor era um pouco atleticano, “e especialmente curitibano”, certezas que por vezes ouvi dele.
