sábado, 9 maio, 2026
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MORREU DESIDÉRIO PANSERA, MAGO DO DESIGN

Dionísio Rodrigues e o Desidério, em 2012, 40 anos da OpusMúltipla. Nesta foto, ele recebe o troféu dos 40 anos da empresa.
Dionísio Rodrigues e o Desidério, em 2012, 40 anos da OpusMúltipla. Nesta foto, ele recebe o troféu dos 40 anos da empresa.

Morreu na noite de segunda-feira, 4, em Curitiba, o publicitário e designer gráfico Desidério Pansera, 67, que se notabilizou também por ter sido um dos fundadores da ex-Múltipla Publicidade e Propaganda, em 1972.

Depois, em 1986, participou da sociedade da OpusMúltipla, agência presidida por seu amigo José Dionísio Rodrigues, ao lado de Gilberto Ricardo dos Santos. Nela permaneceu até 2004, quando resolveu se aposentar do dia-a-dia.

– Ele era de uma eficiência e disciplina únicas. A perfeição era seu alvo. Formou pelo menos duas gerações de designers gráficos, diz José Dionísio Rodrigues sobre Pansera.

ADOLESCÊNCIA

Gaúcho que chegou adolescente em Curitiba, vindo de Marau, RS, para fazer a vida, Pansera acabou sendo um dos marcos mais expressivos da direção de criação publicitária e design gráfico do Paraná.

Sua formação acadêmica deu-se no Curso de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes do Paraná (EMBAP).

FOI MESTRE

Zeh Rodrigues
Zeh Rodrigues

O filho de Rodrigues, Zeh Henrique Rodrigues, um dos diretores da OM Comunicação, foi privilegiado – conta seu pai -, “pois teve Desidério como seu mentor, durante todo o tempo de faculdade”.

Criador inquieto, perfeccionista a toda prova, Pansera deixou marcas bem definidas na história da comunicação paranaense. São peças que fazem parte do acervo da OpusMúltipla, algumas registradas em obras sobre a publicidade paranaense, como o fez Paulo Vítola ao escrever sobre a área.

TELEPAR

Das mais felizes criações de Desidério foram a logomarca e toda a programação visual da TELEPAR, a empresa de estatal de telecomunicações.

A marca transformou-se quase em um segundo símbolo do Estado. O primeiro, naturalmente, a bandeira paranaense.

Não posso esquecer de citar a marca do Bamerindus, igualmente obra desse gênio de Marau.

Pretendo voltar ao tema Desidério, mostrar, se possível, as muitas realidades que animaram o artista e o diretor publicitário desde os dias em que o conheci, quando ajudava a criar a forte identidade visual que teve o segundo governo Ney Braga.

QUERUBINS E SERAFINS

Um dos muitos ângulos de Desidério, pai da arquiteta Betina, marido de Carmen, era sua face espiritualizada, manifestada especialmente na Paróquia de Maria Goretti, no Jardim Schaffer. Ali vivia como que “en route”, em direção ao universo de santos, anjos, querubins, serafins e, especialmente, o Cristo que recebera como me afirmou certa vez, como “a maior dádiva” de seus pais.

As muitas vezes que fez o Caminho de Santiago é uma das provas dessa entrega dele ao Onisciente.

Agora, quando sei que o amigo partiu, ficam a martelar-me aquele olhar amigavelmente inquisitorial (será isso possível?) com que ele nos contemplava, depois de colocar todas as cartas na mesa em torno de campanhas que criava. Didático, com resposta para cada partido gráfico, era o intelectual que se revezava no artista, com graça e simpatia, arrematando tudo com uma pergunta frequente:

– Gostou?

A História do Paraná sempre gostou da aquisição Desidério Pansera.

MENSAGEM DO GRUPO OM

Ao Desidério Pansera, nosso adeus e nossa gratidão.

A OpusMúltipla já nasceu somando talentos.

Do lado Opus, o pensamento estratégico de José Dionísio Rodrigues e Rafael de Lala, cuidando do planejamento de comunicação dos clientes.

Do lado Múltipla, o talento criativo de uma dupla que marcou época na propaganda paranaense, formada pelo redator de textos precisos, Gilberto Ricardo dos Santos e pelo diretor de arte obsessivo, Desidério Máximo Pansera.

O Gilberto foi o primeiro a deixar saudades. E, agora, parte nosso querido Desidério.

À frente da criação da OpusMúltipla, Desidério criou campanhas memoráveis e formou pelo menos duas gerações de criativos.

Era rigoroso tanto na arte como na técnica e forjava seus discípulos a ferro e fogo. Suas passagens no trato com as pessoas são lendárias e algumas até bizarras. Mas em sua carreira colecionou muito mais admiradores do que desafetos.

Sua saúde, há muito combalida, não o impediu de peregrinar por 11 vezes o caminho de Santiago de Compostela, seu anjo guerreiro que guiou seus passos e sua devoção.

Agora, parte para novos caminhos, rumo a um merecido descanso no céu dos publicitários paranaenses, repleto de estrelas.

Boa viagem, Desidério.

Por aqui, fica a saudade e o grande aprendizado de nossa convivência.

Vice-presidente de Criação da OpusMúltipla, RENATO CAVALHER

96-Sala Vazia

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