
A ordem do mérito militar concedida pelo Exército Brasileiro ao ministro do STF, Edson Fachin, ao juiz Sergio Moro e ao senador paranaense Alvaro Dias não tem nada do anacronismo aparente.
LULA TAMBÉM
Trata-se de uma honra militar da qual o presidente da República em exercício é o grão-mestre. Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, já foi merecedor da cruz de honra. Transmitiu-o a Dilma Rousseff, em 2011, e esta por força da lei, suponha-se, a Michel Temer, em 2016.
CRITÉRIO CLARO
Em entrevista às páginas amarelas de “Veja” desta semana, o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas-Bôas, explica, em poucas palavras, o porquê da homenagem a Moro: “O critério dessa condecoração é de brasileiros que tenham prestado serviços relevantes ao país ou ao Exército”. Ponto.
IMPEACHMENT
O Exército agiu com cautela durante todo o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Villas-Bôas, vale lembrar, foi nomeado por Dilma, porém demonstrou ao longo do processo que jamais penderia para outro lado que não fosse o da legalidade.
ESTADO DE DEFESA
A “Veja” ele revelou que o Exército foi consultado sobre a decretação de um estado de defesa no Brasil. Tratava-se de um estudo encomendado por Dilma e por políticos de esquerda. O general disse que isso os alarmou, mas que por fim houve a compreensão por parte do governo de que era uma medida descabida.
FIM DO FORO
Que o Exército tenha condecorado o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato e também o juiz Sérgio Moro, que é quem julga os denunciados na operação que não tem foro privilegiado não chega a ser uma surpresa.
As Forças Armadas apoiam a Operação Lava-Jato e entendem que ela deve andar com a maior celeridade possível. Mas por que então homenagear o senador paranaense Alvaro Dias, o único político entre os homenageados que, inclusive, já se declarou pré-candidato à Presidência da República?
Talvez porque a proposta de Alvaro de acabar com o foro privilegiado vá ao encontro das aspirações do Exército.
ACIMA DO BEM E DO MAL
Se está ali o juiz Sérgio Moro, que julga aqueles isentos do foro privilegiado com uma celeridade que nunca antes se viu na história, por que não deixar em suas mãos os políticos, que, por conta da prerrogativa do mandato, consideram-se acima bem e do mal? Talvez o Exército mande um recado sobre a sua posição.
TRÊS PILARES
E é bom acabar com essa imagem latino-americana do general de coturno, bigodão e charuto, comum nas republiquetas, mas nunca no Brasil, mesmo em tempos muito estranhos. Diz o general Villas-Bôas: “Trabalhamos com base em três pilares: a estabilidade, a legalidade e a legitimidade. Sempre no sentido de ser um protagonista silencioso”.
BOLSONARO NÃO
Jair Bolsonaro? O general diz que o Exército não tem ligação institucional qualquer com o deputado federal. “Ele tem todo o direito de se candidatar, mas quem vai julgá-lo é a população, por intermédio do voto”.
Ponto.
