O Tribunal de Justiça do Paraná gasta R$ 280 mil por ano com frutas para o lanche dos desembargadores. Eles gozam de auxílio-moradia, mesmo morando na mesma cidade, têm o direito a acumular férias, ganham um adicional de insalubridade (!), auxílio-locomoção se mudarem de comarca e bônus – uma gratificação – que faz o teto dos salários ultrapassar o limite constitucional.
ISONOMIA NOS PRIVILÉGIOS
O Ministério Público do Paraná está submetido ao Executivo e não ao Judiciário, mas quando se trata de isonomia salarial é ao Tribunal de Justiça a que se compara. Hoje, um procurador do MP recebe o equivalente a um vencimento de desembargador, e quando este ganha uma gratificação de 20%, o procurador tem o mesmo direito.
As mordomias beiram a ilegalidade, ainda que o Tribunal de Justiça e o Ministério se ponham à disposição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para qualquer fiscalização financeira ou ética.
NOS CORREDORES
Fontes desta coluna revelam, no entanto, que há uma preocupação com o que ocorre nos corredores das duas instituições. Uma remete ao caso do anexo do TJ, até hoje sob investigação. Outra ao MP, que promove concursos para promotores sem observar o uso de celulares por parte de fiscais – o que é um flagrante de irregularidade.
Talvez falte disposição política para investigar supostos malfeitos.
Talvez a aposta seja aquela que as autoridades sempre fazem antes que o abismo abra sob seus pés: “deixe tudo como está para ver no que vai dar”.
