
O pentecostalismo é a segunda maior vertente do cristianismo.
Até a Igreja católica a aceita, na RCC
Não sou bolsonarista, nem pertenço à linha de defensores do atual governo, sobre o qual prefiro manter uma distância crítica moderada. Dito isso, delimito campos para os leitores que, não me conhecendo, possam imaginar estar eu fazendo parte de um “gabinete pró-Bolsonaro”, ao proclamar em bom som que são condenáveis as gozações e muxoxos dirigidos a Michelle Bolsonaro por ela ter “orado em línguas”, em sinal de agradecimento a Deus pela escolha do novo ministro do STF, André Mendonça, pastor presbiteriano, um “tremendamente evangélico”.
A mim me causaram repulsas as gozações dirigidas à esposa de Bolsonaro, replicadas em jornais, e nas chamadas redes sociais, aquelas mesmas que tanto condenam o chamado “Gabinete do Ódio” e vão à Justiça para se queixar de apoiadores do atual governo. E firmo posição sobre o assunto com a autoridade de quem é católico romano desde 1940, um cristão consciente e bem educado na fé, embora, por vezes, tenha andado até por outros caminhos fora da Igreja. Sou alguém “en route”, na Estrada de |Damasco, como Paulo.
Estranho, neste país em que há espaço para todas as crenças, e em que – com justiça – tanto se defendem minorias religiosas, como os de matrizes africanas, exponham-se críticas tão maliciosas, preconceituosas e descabidas numa sociedade democrática.
Tudo porque a mulher do presidente da República expressou-se emotivamente, manifestando-se por meio de uma oração – em línguas, a xenoglossia -, doutrina tão cara aos cristãos, nascida na Modernidade, na Azuza Street, começo do século 20 em Los Angeles. E que, curiosamente, chegou ao Brasil em Belém do Pará (Assembleia de Deus) e Santo Antonio da Platina (Congregação Cristã do Brasil). Hoje, esses cristãos que oram em línguas”, e” em gemidos inexprimíveis”,os que fazem a corrente cristã mais expressiva, ´perdendo apenas, em números de membros, para a Igreja Católica.

Diante da situação que tentaram expor Michelle, como praticante de algo ridículo e arcaico – me pergunto se assim agem esses críticos do espírito religiosa da primeira dama quando se deparam com intelectuais e artistas de todos os matizes, e autoridades, Brasil afora, alegando possessão de “pombas giras”, pretos velhos, e espíritos de toda ordem e até mesmo possessão demoníaca? Michelle talvez tenha “cometido a grave falta” de ser esposa de Bolsonaro, um presidente que está sob a lupa condenatória do jornalismo e da intelectualidade, em função de um governo complicado, contraditório, para dizer o mínimo.
Anote-se: quem primeiro “orou em línguas” foram os apóstolos de Jesus, em Jerusalém, conforme narra Atos dos Apóstolos. Portanto, Michelle apenas repete caminhos e tradição bíblicos. Valores que hoje estão sacramentados pela própria Igreja Católica, que acolhe e apoia a Renovação Carismática Católica.
Quem se coloca na posição de ateísmo militante, como alguns jornalistas bem conhecidos, deles só se pode esperar crítica a qualquer manifestação espiritual. No entanto os críticos de agora de Michelle não questionam a fé cristã: combatem a forma com a fé se expressa, se manifesta. Isso é de todo condenável no estado democrático.
(AMGH)
