segunda-feira, 27 abril, 2026
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Marcus Gomes: Gilmar e Morgana, o casal Gilmor

Hélio Gomes Coelho Jr. foi membro do conselho de presidentes do Instituto de Advogados do Brasil (IAB), entidade que precedeu em muito a OAB. A ordem foi criada por decreto em 1930 pelas mãos do protoditador Getúlio Vargas. O IAB veio com os bacharéis das primeiras turmas das faculdades de direito do Brasil, em São Paulo (SP) e Olinda (PE), em 1843. Quase 100 anos antes.

Pois Coelho Jr. está espantado. Soube de fontes seguras que Gilmar Mendes, o decano do STF, tem sido visto em restaurantes de fino trato na capital federal, jantando com Morgana de Almeida Richa, a ex-de Pepe Richa.

Pepe, já deu para perceber, é irmão do ex-governador Beto Richa, agora afundado em uma cadeirinha da Câmara dos Deputados que conquistou, a duras penas, com magros 60 mil votos. Durante os oito anos de seu mandato, Pepe foi seu supersecretário, livre do nepotismo óbvio porque o STF entendeu, convenientemente, em 2008, que indicação política é diferente de indicação administrativa. Conversa para boi dormir.

Morgana é Morgana mesmo. Agora só Almeida e com uma reputação a zelar. Juíza do trabalho, ela foi promovida a desembargadora em 2019 e, em salto gigantesco, a ministra do TST em 2021.

Nos bastidores de Brasília, comenta-se que o affair começou nos idos de 2009, quando Morgana ocupou cargo de conselheira do CNJ. Quem era o presidente do órgão do Judiciário à época? Um doce para quem respondeu Gilmar.

Cármen Lúcia aposentada

Ministra Cármen Lúcia. Foto: Diego Bresani

Coelho Jr. transita por Brasília com frequência e tem ouvido, com insistência, rumores a respeito da aposentadoria antecipada da ministra Cármen Lúcia. Se ela decidir por esse caminho, vai deixar a ver navios o colega Edson Fachin, que preside o STF e conta com Cármen na relatoria do código de ética da corte.

Mas há outro detalhe insinuante nessa história. E ele corre em torno da possibilidade de que, se reeleito para o quarto mandato, Lula pode, enfim, nomear uma mulher para o Supremo. E Morgana está na lista. Quem diria?

Resta saber se isso pode. Um casal no STF, sem segredos, seria algo inédito. Imagine se cuida das lides domésticas no pleno? Morgana de Almeida tem 58 anos e pode ter uma longa carreira pela frente. Gilmar tem quase 70. Foi nomeado em 2002, aos 47 anos porque, tal como Jorge ‘Bessias’ no PT, foi defensor com soldo do tucanato e advogado-geral da União no governo FHC. Desde então, age como um político em cargo eletivo, pendendo para lá e para cá ao sabor das intrigas.

Fora jejunos

Hélio Gomes Coelho Junior

Em entrevista recente concedida à revista jurídica Bonijuris, edição a sair em junho, o advogado Coelho Jr. defende o mandato para ministros do Supremo e a fixação de idade mínima a partir dos 60 anos. O cargo, diz ele, pode ser vitalício de verdade, desde que os jejunos – ele quer dizer néscios e iniciantes – fiquem de fora.

Gilmar está separado de dona Guiomar há seis meses. Morgana oficializou o divórcio em 2025. Entre amigos e, principalmente, entre inimigos, o ministro do STF ouve coisas como ‘ex-mulher é para sempre’. É uma referência a cônjuges e consortes que tinham a caixa preta do casal em sua posse e resolveram abri-la a tempo de abreviar carreiras e demolir reputações.

Há casos notórios: Nicéia Pitta, Mônica Veloso, Rosane Collor, Miriam Cordeiro, entre outras. O dístico mencionado, contudo, é atribuído ao deputado federal Manoel Moreira, do PMDB paulista, após sua ex-mulher, Marinalva Soares, depor como testemunha na CPI do Orçamento, em 1993, e acusar o ex de engordar seu patrimônio desviando dinheiro público. O prosaico do prosaico na vida pública nacional. Gilmar que se cuide.

Marcus Gomes é jornalista e advogado. Escreve sobre política, direito, condomínios e assuntos do dia a dia. Sugestões de conteúdo para redacao@bonijuris.com.br

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